quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Sobre Star Wars


Fui ao cinema umas seis ou sete vezes neste ano. 

Vi alguns filmes excelentes, deixei de ver filmes excelentes e alguns blockbusters que prometiam muito.

Mas, obviamente, não poderia deixar de ver Star Wars Episódio VII - O Despertar da Força.

Vi uma, duas, três vezes. Sem pagar.

Amei cada vez, especialmente a da sala IMAX. O 3D do filme é bom e o áudio da sala dispensa apresentações.

Dizer o que?

Amei o filme.

Excelente. 

Bom roteiro, na medida certa.

J.J. Abrams foi muito responsável com tudo. A história, o legado, os fãs antigos...

Respeitou os fãs antigos. Angariou novos. 

A cada cena, uma homenagem, uma reverência ao legado de Star Wars.

A sensação é similar à de ver "Uma Nova Esperança".

Mas quem diz que o filme não passa de um remake, está redondamente enganado.

O filme introduziu os novos elementos da saga de maneira bastante eficaz e concreta, ao mesmo tempo em que reverenciou os personagens e características que tanto amamos.

Ao mesmo tempo, preservou ainda a sensação de estar vendo um filme de Star Wars.

Porque sim, quando saí do cinema, a sensação era de serenidade, ao mesmo tempo em que me senti imensamente satisfeito por ter assistido a um grande filme da franquia. 

Divertido, envolvente, carismático, emocionante.

Um grande filme. 

Não porque tem um roteiro extraordinário. O roteiro é bom, mas não é grandioso. 

Eu poderia dizer que é um produto de qualidade, mas despretensioso, até certo ponto.

Mas é genial, pois conseguiu achar um ponto em comum entre a grande maioria do público novo e a grande maioria do público veterano. 

E agradou a todos (salvo os chatos de plantão).

Mesmo quem nunca viu nada de Star Wars antes do episódio VII, tem fortes chances de sair satisfeito da sala de cinema.

O que nos deixa com uma certeza absoluta: Star Wars voltou. E para ficar, por muito tempo. Uns 10, 20, 30 anos.

A marca voltou a ser uma máquina de fazer dinheiro. Bom para a Disney, que fez DOIS negócios da China: Comprou a Marvel e, depois, Star Wars.

O que é bom, mas também tem seus problemas e bizarrices.

A marca é explorada à exaustão. 

Vender brinquedos e outras coisas similares, OK.

Mas comida? 

Tá, uma sanduicheira com o desenho da Estrela da Morte até que vai. 

Mas... Laranjas? Papel higiênico? Vibrador?

Menos, Disney. Muito menos. Vamos manter a coerência.

Enfim... Talvez seja apenas efeito colateral do sucesso da franquia. A marca vendeu a rodo nos últimos anos, no hype pelo filme. 

E vamos ter Star Wars no cinema até 2020. Um filme por ano.

Espero que todos sejam excelentes, o que é um tanto improvável, mas aguardemos. 

Estou otimista. 

Um grande futuro nos aguarda, não tão distante e nesta mesma galáxia...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Sobre melancolia (ou o inóspito final de Jogos Vorazes)

Aviso: Quem ainda não tiver assistido ao filme, não leia. Mas se ler, não reclame de spoilers. O filme já lançou há cerca de duas semanas e já dá pra ter assistido com folga.

Quem for um fanático pela trilogia de Suzanne Collins e ler isto, aviso que não preciso ler ao final do meu texto comentários como: "Leia a obra antes de julgá-la por um filme". Apago mesmo, porque não sou obrigado. Aqui, estão minhas impressões sobre o filme, exceção feita a alguns comentários.

Pois é... Fui ver o tal "Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 2".

Fui ver sem expectativas, apenas pelo prazer de mais uma vez estar no cinema.

Cinema pouco frequentado, sala quase vazia. E isso em plena época de férias escolares no Brasil, quando geralmente os cinemas lotam, até durante a semana!

E, sinceramente... Acredito que sei o motivo.

E digo mais: Ainda bem que fui sem expectativas.

Alguns dizem que este filme foi fiel ao livro.

Eu não duvido. E não me importo.

Apenas acho lamentável.

Não gostei do filme.

E não falo aqui como crítico de cinema ou hater da "obra" (os pretensos fãs da franquia só a chamarão assim.)

Falo apenas como um cara aleatório, com um blog, que fala o que pensa, sem hesitações.

E eu gosto de Jogos Vorazes. 

Desde o começo, achei genial a ideia de misturar uma opressão totalitária, sob o comando de um déspota esclarecido (Snow) com a contemporaneidade marcada pela tecnologia - ou algo parecido, como é o caso, vez que a história passa-se numa civilização futurística e fictícia.

O que constitui uma crítica deveras sutil à barbárie televisionada - algo presente nos dias de hoje, mais que nunca.

Programas policiais, a roubalheira "novelizada" nos jornais de TV, em pleno horário nobre?

E vocês se chocam com a barbárie imposta aos tributos?

Enfim.

Uma obviedade é que o trailer vendeu a derrocada de Snow após uma batalha terrível. E, sinceramente, eu queria vê-lo de joelhos, com alguma expressão de derrota.

Mas o que se viu foi um Snow que nunca perdeu a pose de maioral e cuja astúcia, até mesmo no final, foi recompensada.

A morte de Alma Coin acaba por não deixar dúvidas disso.

Mas não senti raiva deste fato. 

A perversidade maquiavélica de Coin lhe custou um altíssimo preço. Um preço pago em sangue.

No final das contas, Coin queria ser tão somente uma sucessora para Snow. Nada mais, nada menos.

Matar crianças com bombas e incriminar o inimigo?

Tentar criar novos Jogos Vorazes? 

Era exatamente com aquilo que queriam sumir.

E sabe o que é pior? Para quem não leu o livro, tudo aquilo funciona como uma surpresa - broxante, diga-se.

Os mais desavisados só descobrem que Coin fez aquilo quando Snow denuncia.

Até então, Coin era apenas uma líder para quem os fins justificam os meios, mas não uma déspota sedenta por poder. 

E tudo faz sentido quando a líder se coloca na posição de presidente interina da Capital 

E o caráter doentio da nova presidente se faz ainda mais notório quando a mesma anuncia a criação de novos Jogos Vorazes, desta vez, com tributos entre as crianças da própria Capital.

O que talvez possa ter funcionado como a "verdade surpreendente" do filme. 

Acho que não gostei desse aspecto.

Enfim. 

Eu não me importo se o final tinha mesmo que ser este porque estava no livro ou algo assim.

O final é ruim. A luta final é patética.

A Capital é posta de joelhos e o espectador cai nesse cenário praticamente de paraquedas.

Ruim.

Ruim esse final de Jogos Vorazes. Por mais que seja o "final do livro".

O final do livro é ruim, pronto.

Faltou a emoção e a comoção da guerra, a situação do espectador no contexto. Tudo isso havia na parte 1.

Lamento muito, porque os outros filmes realmente foram excelentes.

Enfim. Cheirunda em vocês.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Sobre arrogância

Um Hamilton soberbo e de nariz em pé: Imagem comum depois de Austin

Detesto.

Detesto gente arrogante, prepotente e que não consegue ficar feliz com o sucesso do próximo.

Nos últimos anos assumi uma postura ora indiferente, ora respeitosa para com Lewis Hamilton.

Mas ultimamente tem sido difícil manter esse tipo de atitude.

Hamilton está insuportável depois que foi tricampeão.

Tem tido delírios de grandeza, vive se comparando com Ayrton Senna.

No filme de seu tricampeonato, o inglês deita, rola e humilha os outros sem o menor pudor.

Seu companheiro, Nico Rosberg, tem sido a maior vítima.

Na antessala do pódio de Austin, palco do tri, Hamilton jogou o boné de 2º lugar a Rosberg. Cuzão. Eu teria ficado putíssimo, como Rosberg, de fato, ficou.

Autor das últimas seis pole-positions e vencedor das últimas três provas, Rosberg está endiabrado. Terminou o ano em alta e sem dar chances ao fracasso.

Em todas as vitórias de Nico, Hamilton não perdeu a chance de fazer pouco do sucesso do parceiro.

A cada triunfo do alemão, Hamilton necessitava lembrar que o campeonato era dele e que não importava "uma vitória ou outra".

Poxa, não podia simplesmente dizer "parabéns"?

Não.

Não podia.

Esse é Lewis Hamilton. O verdadeiro.

Embora resguarde certa humildade para si, não sendo um Fernando Alonso da vida, o inglês se vê como um legítimo "sucessor de Senna", que estava destinado a igualar o ídolo.

Hamilton cresceu como piloto e pessoa, mas nunca se deu exatamente bem quando teve que dividir a equipe com um piloto forte.

Nem preciso dizer o quanto Alonso era forte. A briga entre os dois fez ambos perderem o título para Kimi Raikkonen.

Rosberg, em 2014, era forte. E Hamilton sofreu para batê-lo.

Neste final de 2015, com Nico ressurgindo, Lewis antevê a possibilidade de ser incomodado pelo companheiro.

Por isso já está se armando. E tenta destruir o psicológico de Rosberg.

Aparentemente inútil, para mim.

A mente do alemão já parece estar no ano que vem.

Nico Rosberg e até Sebastian Vettel, se a Ferrari permitir, virão babando.

Então Hamilton deveria parar com essa atitude de menino que se acha a última bolacha do pacote e abrir o olho.

Ele não é o melhor piloto do grid, ele é um grande piloto com o melhor carro do grid.

E definitivamente não é um novo Senna.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Sobre a possibilidade de amar

É possível criar uma amizade.

Passar meses cultivando uma amizade.

Diversão, risadas, momentos difíceis, desabafos, sorrisos, confissões.

Ternura.

Gostar de uma pessoa e desenvolver em relação a ela um carinho sublime, uma afeição notável e cuidadora.

Uma vontade de cuidar.

Sim, é possível.

É possível sentir atração por essa pessoa, desejá-la de uma maneira tão intensa e tão carnal que tudo o que você deseja de vez em quando é se deliciar nela.

E desenvolver uma vontade que se coloca acima de qualquer outra neste aspecto: a de dar prazer.

Sim, é possível.

É possível gostar de uma pessoa a ponto de tornar seu sorriso a razão do seu próprio viver?

Ver naquele sorriso uma luz para si próprio?

Amá-la a ponto de fazer da felicidade dela um objetivo para sua própria vida?

Sim, é possível.

Recuperei a vontade de amar, outrora adormecida e esquecida.

A vontade de ser amado e a receptividade ao carinho.

Aqueles momentos deliciosos de bobinho apaixonado.

Momentos cômicos de expressão dos sentimentos de maneiras por vezes inusitadas.

Um amor leve para tornar tudo muito gostoso, de tal forma que o tempo nunca leve.

Um amor forte para ser resiliente em relação às dificuldades inerentes a qualquer relacionamento desta natureza.

Sim, é possível.

A vontade de dar a ela uma coisa que outrora lhe foi negada, não poucas vezes. 

De redimir suas dores, suas agruras, suas tristezas.

Recuperar um pouco o apreço pela vida e pelo amor.

E querer amar e ser amada, de maneira livre, irrestrita, sem dores, sem sacrifícios.

Uma vez li que amar é ceder, mas nunca sacrificar-se.

Porque sim, é possível amar uma pessoa em todas as suas nuances e aspectos.

O amor sem sacrifícios é o norte desse relacionamento.

É a chance de ser feliz sem restrições, apenas curtindo tudo isso tranquilamente.

É possível?

Sim, é possível.

Sobre o triunfo de Rossi e a vergonha espanhola

Não gosto de Jorge Lorenzo. Nunca gostei.

Sempre o achei cuzão e boçal. Um idiota, em sumo.

E é espanhol.

"Ah, seu xenófobo!" alguns dirão.

Não. É que pilotos espanhóis tendem a serem uns cuzões mesmo. Exceção feita apenas para Carlos Sainz Jr., talvez. 

Ou talvez esse ainda não tenha posto suas manguinhas de fora.

Ele é cuzão e boçal? É um idiota, de verdade, na vida pessoal e profissional? Talvez, não.

Mas na minha cabeça e na de muitos fãs da Moto GP, ele certamente o é.

E depois de hoje, essa impressão ficou marcada na cabeça de todos. Disso, tenho certeza.

Os dois chegaram nas duas primeiras posições no pódio, é verdade.

Lorenzo conquistou seu quinto título na Moto-velocidade, sendo 3 na categoria principal, é verdade.

Mas os dois passaram por um fracasso retumbante. 



Tanto ele quanto Marc Márquez foram amplamente derrotados.

Jorge Lorenzo Marc Marquez MotoGP (Foto: Reuters)
Todos acusaram Márquez de ser complacente com Jorge Lorenzo.


O próprio Lorenzo ficou mal-falado por tentar capitalizar em cima do protecionismo do compatriota e não ver nada errado nisso.

E comemorou como se tudo tivesse sido conquistado apenas com seus esforços, ignorando completamente o protecionismo.

Lamentável.

Tecnicamente falando, o espanhol mereceu. Foram sete vitórias no ano.

Mas foi um cuzão e eu não gosto dele, portanto, foda-se.

Márquez reclamou da "falta de respeito". 

Agora deu. Quem mandou ficar atrapalhando o campeonato alheio de propósito por pura picuinha?

Se não sabe brincar, não desce pro play, parça.

Quer ser respeitado? Faça seu trabalho. Faça seu campeonato. E não atrapalhe o dos outros propositalmente.

O piloto da Honda nunca tentou sequer uma ultrapassagem a Lorenzo, o que não foi de todo surpreendente.

Eu imaginava que Marc poderia apenas escoltar o compatriota. E ele jamais faria algo que beneficiasse seu maior desafeto.


Ainda tenho algum apreço por Márquez. Comemorei seus títulos e achei bacana sua rivalidade com Valentino Rossi.

Mas achei ridículo que o espanhol, justamente a maior revelação da Moto GP pós-Rossi, tenha causado esse tipo de briga.

No pódio, ambos foram vaiados. Sim, vaiados.

Dois espanhóis sendo vaiados na Espanha.

Lorenzo só foi comemorado pela organização da prova e alguns gatos pingados na torcida, provavelmente.

O único da turma que conseguiu alguma redenção foi mesmo Dani Pedrosa.

O companheiro de Márquez na Honda tentou partir para cima de Márquez quando este não tentava nada contra Lorenzo. 

E foi prontamente repreendido pelo companheiro, que lhe tomou a posição logo depois, em demonstração clara de que estava aliviando com o compatriota da Yamaha.

O grande vencedor do dia foi mesmo Valentino Rossi.

Depois de uma punição questionável e controversa - havia imagens aéreas que questionavam a tese de que Rossi teria chutado Márquez - o italiano largou em último.

Em último, num grid de 26 motos e no travadíssimo circuito Ricardo Tormo, em Valência.

O italiano não se intimidou. Partiu para cima. 

Em 13 voltas, ultrapassou nada menos que 21 motos. 

Era nono na terceira volta, quinto na 11ª e na 12ª chegou à quarta colocação. 

Mas por lá ficou. 

Os adversários eram justamente Pedrosa e Márquez, da Honda, e seu companheiro e desafeto Lorenzo, da Yamaha, sendo as duas motos praticamente idênticas.

Era quase impossível, de fato, que Rossi conquistasse o título nessas circunstâncias.

Mas foi o maior vencedor de Valência.

Ovacionado por praticamente toda a torcida e boa parte da equipe Yamaha, Rossi mostrou, aos 36 anos, que sua carreira está longe de terminar.

Sua presença é positiva para o esporte e para os fãs.

Um grande piloto, genial, uma lenda viva. Um monstro sagrado de todo o esporte mundial.

E que não tem mais o que provar para ninguém.

Mas talvez tenha precisado provar para si mesmo, durante este ano de 2015, que ainda era competitivo o bastante para continuar.

E não se decepcionou. E não decepcionou os fãs, eu incluso.

Perdeu o título. Mas derrotou, moralmente e de maneira retumbante, o protecionismo espanhol.

 Forza, Vale! Ano que vem você ganha! 




quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Sobre a relutância em ser razoável



Antes de qualquer coisa: Eu não queria falar sobre esse tema no Facebook, aqui no blog ou onde quer que fosse.

É um tema desgastante, em todos os sentidos. Pessoas se estressam, desfazem amizades, agridem verbal e moralmente os outros e por aí vai.

Inclusive, pensem na estrutura desse texto como um prolongamento da ideia proposta no título. Ao longo de todas estas linhas, tentei ser o mais razoável possível, dentro das circunstâncias.

Não é outro daqueles textos que começam com "precisamos conversar sobre" e não querem conversar sobre porra nenhuma, só impõem conceitos. 

E não se propõe a apresentar a verdade sobre os temas discorridos, mas sim tão somente a perspectiva do autor. No caso, eu.

Isso posto, vamos ao batente.

Andei observando atentamente o circuito de debates e discussões nas redes sociais sobre feminismo e os sexismos, inflamado pelo tema da redação do ENEM e também pela questão que tratava sobre a ideologia de Simone de Beauvoir, retratada no trecho de "O Segundo Sexo", da autora francesa.

Acredito ser relevante falar de violência contra a mulher, uma vez que esse tipo de violência é recorrente Brasil afora. Mulheres continuam sofrendo bastante com violência de vários tipos, sendo a doméstica a mais recorrente.

Embora fosse muito interessante se surgisse alguém com a ideia de redigir uma redação contendo críticas contundentes à discriminação sofrida por mulheres transsexuais dentro do movimento feminista, por exemplo. Ou à violência doméstica entre casais lésbicos.

Já a questão sobre Beauvoir, para mim, nada mais foi do que uma questão de história. Quem não soubesse, se ferrava. Simples assim. Sem falar que as ideias de Beauvoir pouco tem a ver com o feminismo na forma atual em que este se apresenta.

Posso supor, e algumas amigas feministas até concordariam comigo, que a maioria das moças ditas feministas hoje sequer tocaram um livro de Beauvoir. Para ser prático, fiquemos no exemplo d'O Segundo Sexo.

Pergunte para qualquer feminista hoje sobre qualquer obra de alguma teórica social/feminista que ela tenha lido.

Poucas irão responder "Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir". Pouquíssimas, arrisco dizer.

E isso que existem DEZENAS de autoras feministas, com trabalhos datados de quando o movimento explodiu no século XX e que constituem o arcabouço teórico do feminismo em sua base intelectual. Assumo que só conheço em algum nível a autora francesa já citada, mas sei um pouco sobre a classificação das fases do movimento feminista.

Eu arriscaria dizer, sob risco de errar, que o que se tem por feminismo hoje é um arremedo da Terceira Onda Feminista.

Aliás, o que se tem por intelectualidade feminista hoje? Anita Sarkeesian? Lola Aronovich?

Entre outras coisas, vejo muitos extremismos nos discursos ditos feministas hoje. Por exemplo...

Homem: quero ser feminista!
Mulher: só mulheres, querido. Homem não pode dar pitaco em feminismo.

Mulher branca: quero lutar pelos direitos das mulheres negras no feminismo!
Mulher negra: Só mulheres negras, querida.

Emma Watson: Por um feminismo que una todas as mulheres e que não lute contra os homens, mas que lute pela igualdade de direitos entre homens e mulheres!
Femistas: Para de dar biscoito pra macho (sic), querida.

E, entre outras coisas, leio "No utherus, no opinion".

Mas essa restrição não é feita para homens que concordam com as ideias, só para os que discutem ou rechaçam de alguma forma.

Não tá fácil lidar com essa segregação dos vieses e nuances do movimento feminista, que parece estar se implodindo aos poucos por isso.

Não há igualdade de direitos sem diálogo.

Não há.

Os argumentos estão fraco, fundamentados de forma intelectualmente pobre. Isso quando não são falaciosos. 

Aliás, as falácias são o mais podre do que se tem por argumentação hoje, sendo o famoso "Argumentum Ad hominem" o mais frequente.

De um lado, temos "para de mimimi", "femimimista", "isso é falta de rola", "isso aí é besteira, tem coisa mais importante pra se preocupar".

Do outro, temos "cala a boca macho", "macho não tem que dar pitaco", "male tears", "iuzomismo", "amigxs unidxs" etc.

Isso quando não há a tentativa de encerrar o debate no grito, com frases como "não dá pitaco em opressão que você não sofre", ou - para não ficar batendo só em um lado - "vai caçar uma rola para chupar".

Debate se faz com ideias, não necessariamente apenas com vivências ou, como é de costume, com censura das opiniões inconvenientes.

As ideias feministas tem que se transpor por meio do debate intelectual sério e de alto nível, não pela gritaria e o destilamento de falácias.

O mesmo vale para o contraponto às formas atuais de se fazer feminismo. Chamem do que quiser, "humanismo", "masculinismo", "machismo".

Deixo claro que não sou feminista, mas também não sou contra a ideia-raiz do feminismo. 

Se eu tivesse 22 anos em meio aos movimentos feministas do século XX, provavelmente estaria lá junto às moças, apoiando o movimento em sua primeira ou segunda onda.

É preciso razoabilidade em tudo que fazemos na vida. 

Ainda mais quando a tendência vigente é emburrecer o discurso. 

Isso acontece em várias dicotomias, na verdade. 

Na do feminismo/femismo vs machismo/masculinismo, isso é ainda mais gritante.

Sejamos razoáveis, meu povo. 

Cheirunda.


Quem for discutir sobre o texto nos comentários, pode opinar se eu estou errado e explicar os motivos, mas não aceitarei argumentos falaciosos como "você é homem e não deveria estar falando sobre feminismo" ou "cala a boca macho", etc. Não quero sabotagem emburrecedora de discussões aqui. Apago mesmo. O blog é meu, escrevo o que quiser e não sou obrigado a ler coisas idiotas.

domingo, 25 de outubro de 2015

Sobre Austin, triunfos e chororôs



Esse era mais uma das corridas sobre as quais eu não iria escrever nada.

Não me interessa escrever sobre corridas em que a Mercedes ganha, por melhores que elas sejam. Ainda mais com dobradinha.

Mas esta teve circunstâncias que alimentaram satisfatoriamente meu apetite pela escrita.

Então vamos lá.

Em primeiro lugar, parabéns para Lewis Hamilton pelo tricampeonato. Merecido.

Injetou Red Bull na bola esquerda e correu feito o diabo neste ano. (ou Monster, que é o energético que patrocina a Mercedes)

Uma coisa interessante é que o título de Lewis, um piloto negro, foi selado no Texas, um estado ao sul dos Estados Unidos.

Quem gosta de história, vai pegar essa referência no ar.

E não tem mais o que falar sobre isso, especificamente.

Daí em diante, tenho alguns comentários que julgo pertinentes para fazer.

Acho lamentável, sinceramente, que com toda essa corrida maravilhosa, tenhamos tido dobradinha da Mercedes.

O que deixa clara uma coisa: O problema da Fórmula 1 não é a falta de boas corridas.

É a falta de alternativas. Pura e simplesmente.

Do que adianta você ter uma corrida belíssima se ela acaba de forma absolutamente sacal e comum?

Qual a graça de uma ruma de mudanças de conjuntura e liderança se temos dois carros da Mercedes fazendo dobradinha no final?

Sei lá... Por isso torço para que a Ferrari faça um carro/motor decente ano que vem.

Falando em Ferrari...

Onde estão os vaiadores de Sebastian Vettel?

Os que falavam a torto e a direito que o tedesco só ganharia com um carro de outro planeta?

Ah, mas é o Hamilton, um piloto do povão, cheio de apelo. Entendemos.

Não me entendam mal, não é que eu não goste de Hamilton. A questão é que eu sou indiferente a ele.

E o alemão, hoje, largou na 14ª colocação. Chegou ao pódio.

Ainda creem haver espaço para esse tipo de argumento contra o tetracampeão?

Vettel é, junto a Hamilton, o melhor piloto desse grid.

E, com o tri do inglês, os dois se estabelecem como os melhores pilotos da atualidade. Parelhos tanto em talento quanto em números.

Isso posto: Esqueçam Fernando Alonso. O tempo do espanhol já passou.

Sim, não tem nada a ver com ele, mas arrumo uma forma de falar sim.

Sou chato sim.

Não vou atrás do que fazer ou de uma muda de roupas pra lavar.

Me chame de hater, se quiser.

Aqui eu falo o que eu quiser e foda-se.

Vettel e Hamilton somam juntos números gigantescos e estão se alternando nesse campo.

Alonso parou no tempo. Hoje, o espanhol vive de passado e de publicidade.

E da aparentemente inquebrantável persistência de seus fãs.

Falando nisso, uma perguntinha aos fãs de Fernandinho...

Se o espanhol é unanimemente o melhor da atualidade entre jornalistas e chefes de equipe... Por que cargas d'água ele não consegue vaga numa Mercedes, por exemplo?

Enfim, essa resposta deixo a cargo de vocês em suas reflexões internas.

Já coloquei minha opinião sobre Alonso neste blog a rodo e não pretendo repeti-la.

Enfim... No mais, tivemos uma ótima corrida.

Mas também tivemos 1-2 mercêdico, Rosberg bundão e Vettel comendo pelas beiradas.

Ao público leigo ou ao fã que perdeu a corrida e fica sabendo do resultado pela internet, fica tipo a sensação:

"É apenas mais uma corrida sem alternativas e que todo mundo sabe que quem vai ganhar é o cara da Inglaterra que tem o carro melhor que os outros."

Tô queimando a língua, provavelmente, mas a sensação que essa F1 sem alternativas ou contraponto às vitórias da Mercedes é exatamente essa.

As circunstâncias eram similares com Vettel? Eram.

Mas não tão escancaradamente.

Enfim, cheirunda em vocês.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Sobre crianças incríveis e cabeças de bagre

Valentina Schulz e Erick Jacquin (Foto: Reprodução/Facebook)

Dei uma bisoiada inicial no tal do "Masterchef Junior".

Achei divertidinho, fofinho, as crianças surpreendem pela maturidade na cozinha e tal...

Essas crianças cozinham demais, caras. Vocês não ficam estupefatos?

Eu fiquei, e muito. Não saco nada de cozinha. Esses pivetes se garantem.

Ainda mais que eles possuem todo o potencial inerente a uma criança. Curiosidade, concentração, vontade de aprender e de melhorar...

Mais maduros do que muitos dos adultos que participaram das edições anteriores.

Muito lindo ver esses gurizinhos e gurizinhas trabalhando.

E, acima de tudo, é bom que se frise uma coisa:

A cozinha, assim como toda atividade infantil, deve ser, acima de tudo, divertida e prazerosa para a criança que pratica.

Nunca deve ser uma exigência e nunca se deve colocar uma carga emocional sobre ela.

Levo esse tipo de máxima para toda a sorte de atividade possível. Futebol, Kart, enfim, qualquer tipo de atividade.

Isso estimula a produtividade, a alegria e efetiva o potencial criativo e a habilidade.

Enfim.

Mas como nem tudo são rosas...

Também entendi melhor a questão da pedofilia.

Fiquei lamentavelmente surpreso ao ver esse tipo de coisas acontecendo.

Esse tipo de perversão, gente... É repugnante, imoral, destrutiva, dolorosa, detonadora.

A Valentina? É bonitinha, fofinha, OK.

Acima de tudo, é uma CRIANÇA. Metam isso nas suas cabeças de bagre.

Respeitem a condição de inocência à qual toda criança tem direito enquanto está em formação.

Em hipótese NENHUMA se flerta com uma criança. Ainda mais desse jeito, descarado e totalmente desfraldado.

Lamentável. Simplesmente ridículo.

domingo, 18 de outubro de 2015

Sobre egos globais despeitados


Demorei um pouco para escrever sobre essa questão do fim da transmissão das classificações na Fórmula 1. 

Na verdade, eu não iria escrever, mesmo.

Mas me vi desenvolvendo um pensamento extenso a respeito disso e acabei vendo a oportunidade disso virar mais um texto aqui no blog.

Funciona assim: A Globo põe Galvão Bueno, um narrador-torcedor, e ao lado dele Reginaldo Leme, um homem entendido mas muito complacente. 

O mesmo vale para Burti, que entende mas não questiona as opiniões de Galvão. 

SIM, Galvão, que deveria narrar, opina durante as corridas e toma pra si, além da função de narrador e de torcedor junto ao "público" - público esse que detona pilotos brasileiros a torto e a direito - a de comentarista. 

Leme e Burti estão lá para serem os papagaios de pirata dele. Essa é a lamentável verdade.

Embora Reginaldo acabe sendo, pela sua figura de jornalista-automobilístico experiente, mais do que isso, ocasionalmente.

Mas sabe quando você tenta dar sopa quente na boca de uma criança à força? Pois é, sabe o que ela faz? Cospe tudo na tua cara.

O público entendido não gosta e vive criticando. 

Nas redes sociais, os profissionais de TV da F1 na Globo são achincalhados a esmo, bem como a própria forma de a Globo conduzir a atração.

O que é, na verdade, um problema da Globo de um modo geral nesses tempos: ela não sabe lidar com o retorno do público. 

Ou, se sabe, não quer, por birra.

Aliada a essa situação, em adição ao fato que a audiência da F1 vinha caindo vertiginosamente nos últimos 4-5 anos, foi demais para os globais, que chutaram o balde e acabaram com a brincadeira.

Mas é engraçado, isso tudo. Há anos que o que se critica era a forma da Globo conduzir as transmissões, bem como os profissionais que nelas trabalhavam.

O fato é que tudo isso foi uma grande briga de egos entre a vontade do público de F1 e a vontade dos globais.

Mas é bom salientar que esses problemas se resolveriam de forma muito menos drástica se a Globo arrumasse outros profissionais para trabalharem na atração.

O Reginaldo Leme é ótimo. Trocassem o Galvão pelo Sergio Maurício e o Burti pelo Max Wilson. Sergio, arrisco dizer, é o melhor narrador automobilístico dos últimos anos, e Max Wilson é um bom comentarista no SporTV.

Aliás, a transmissão do SporTV é um primor. Irreverente, interessante e com opiniões sortidas. Nenhum narrador toma para si as responsabilidades de seus colegas.

Mas isso nunca vai acontecer.

Porque a ideia da Globo é essa aí embaixo.

"Querem assistir corrida? Vão ter que aguentar os profissionais que eu colocar pra trabalharem na transmissão, para falar o que eu quiser em termos de informação e manter o público que não entende das corridas sem entender".

E assim, aos poucos, vai morrendo a F1 na TV aberta.

Quem sabe, em algum tempo, até a F1 na TV brasileira.



quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Sobre motores e agruras



Daí vejo gente comemorando o "salvamento" da Red Bull em vista das novas regras de fornecimento de motores para 2016 na Fórmula 1.

Para que se entenda, essa regra estabelece que as fabricantes devem fornecer unidades motrizes iguais para todas as suas equipes clientes.

Em suma: Mercedes terá os mesmos motores que hoje fornece para Force India, Williams e Lotus.

Ruim para as pretensões das fabricantes. Mercedes e Ferrari hoje possuem os maiores dividendos da Fórmula 1.

Mas a regra é ótima e merece ser comemorada, pois deve equilibrar as coisas para as equipes médias em relação às grandes.

Quem sabe uma chance maior de pódios para Sauber e Force India - que, aliás, fez pódio em Sochi com Pérez.

Mas, ainda sobre a Red Bull... Para ser sincero, não entendi a comemoração.

Sabe-se que a Ferrari não aceitou fornecer motores.

A Mercedes também não.

A Renault pode muito bem fazer bico e humilhar a equipe do energético ainda mais, isso se aceitar continuar fornecendo seus motores.

Enfim...

Por mim, se sou Dietrich Mateschitz, aproveito enquanto a situação ainda não está tão humilhante quanto pode ficar.

Junto a trouxa e vou-me embora para Pasárgada. 

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Sobre roupas íntimas, arbítrio e frescuras

O texto a seguir contém conjecturas minhas e não presumo que minha opinião seja a verdadeira em detrimento das outras. Assim, não devem se sentir ofendidos aqueles que tiverem um ponto de vista diferente se o teor do texto lhes soar imperativo quanto às opiniões pelas quais devem se pautar. E vamos que vamos que atrás vem gente.

Daí leio em algum lugar que há homens que não gostam de calcinhas da cor bege. E que elas deveriam parar de usá-las.

Não que homens não possam opinar sobre o que eles gostam ou não em mulheres. Acho que, não sendo sexista, tá valendo. 

Pode dizer que não gosta desse ou daquele batom, que gosta ou não de maquiagem, que gosta disso ou daquilo ou não. 

Pessoalmente, não sou de me meto nisso. Geralmente guardo minhas preferências pessoais para mim, pois apenas a mim elas interessam.

Até aí, apenas a expressão de preferências pessoais, sem quaisquer interferências no modo de vestir das mulheres. Afinal, dizer que não gosta de alguma coisa não é o mesmo que tentar censurá-la.

Contudo, avançar e, por exemplo, dizer o que elas devem ou não fazer/usar nesse aspecto, é de um descabido sexismo, sendo, portanto, totalmente reprovável. 

Ponto.

Mas pera lá... não gostar de calcinhas porque são dessa ou daquela cor?

Pra começo de conversa, o problema já é você não gostar de calcinhas. Ou de qualquer tipo de roupa íntima.

Aqui no Ceará, chamamos isto de frescura. No caso, uma das mais medonhas.

Agora, falando como apreciador de roupas íntimas femininas...

Creio que roupas íntimas dão um ar de mistério, potencializam a sensualidade da mulher e o desejo daqueles ou daquelas que ela atinge de forma proposital ou não.

A cor pouco deveria importar.

Cá entre nós, eu e vocês que estão a ler esse texto, acho calcinhas de qualquer cor incrivelmente sensuais. As de cor bege, então...

Podem me chamar de fetichista. No sentido de gostar disso ou daquilo nesse âmbito, sou mesmo. E falo o que eu quiser aqui, foda-se.

Vocês, homens e mulheres (principalmente mulheres), que falam este tipo de impropérios, façam-me o favor: 

Assumam logo que vocês entram na piscina pela escadinha.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Sobre ruindades e desilusões


Nos últimos meses eu estive conversando sobre alguns amigos e prestando atenção em alguns conteúdos.

Em especial, um assunto me interessou muito: A franquia "Cavaleiros do Zodíaco".

Desde pequeno sempre fui muito fã dos Cavaleiros. Tive minha fase de achar o animê/mangá muito bons, divertidos e tudo o mais.

A bem da verdade, ainda acho CDZ divertido em alguns momentos. Vira e mexe re-assisto e bate aquela nostalgia.

Mas a medida que o tempo passa, você vai conhecendo outras coisas. Outros animes e mangás, e até obras do mundo ocidental.

Na verdade, foi tudo o que não faltou nas épocas subsequentes à febre de Saint Seiya, principalmente com o advento da internet. 

A febre do download, dos animês em RMVB, do Real Alternative/Real Player/Não-sei-o-que-player/XP Codec Pack... 

Tudo isso democratizou de forma nunca antes vista o acesso a todo tipo de conteúdo de um modo geral, mas em particular diferentes tipos de animê.

E surgiram muitos. Alguns de qualidade excelente, como o aclamado Full Metal Alchemist, Death Note, Bleach etc.

De modo que é consenso entre alguns amigos a seguinte coisa: É impossível gostar de Cavaleiros do Zodíaco se você começa a assistir depois de velho.

Ou, na pior das hipóteses, improvável.

É difícil ver Cavaleiros do Zodíaco com os mesmos olhos infantes e brilhantes a medida que você cresce. Se você consegue manter o mesmo brilho, provavelmente é pela nostalgia, mesmo.

Como se não bastasse, é consenso entre os fãs de animês e de conteúdos similares que Cavaleiros do Zodíaco perdia fortemente em qualidade para obras como Rurouni Kenshin (Samurai X), YuYu Hakusho, Slam Dunk, Dragon Ball, Gundam, Inuyasha, One Piece, Evangelion, ...

Sem mais delongas, eis aqui o que eu acho. 

Cavaleiros do Zodíaco é ruim. 

O traço do mangá (consequentemente do autor) é ruim.

O que salvou o animê foi a ótima arte de animação de alguns desenhistas da produtora, Toei Animation, pois o design das armaduras em Kurumada era simplesmente patético.

A história é fraca e repetitiva. 

Os diálogos são quase sempre trocas de discursos apaixonados e grandiloquentes, que por vezes chegam a ser entediantes. 

As lutas, salvo raras ocasiões, perdem o ritmo por isso. Isso sem falar no péssimo desenvolvimento da história. 

As doze casas até que empolgam. Asgard, a saga Filler (considerando o propósito de um filler em animês, encher linguíça) pasmem, é uma das melhores junto à primeira. 

Já Poseidon e Hades... Tsc. 

Se você não for tomado pela nostalgia ao ler esse texto, provavelmente é a essa conclusão que irá chegar.

E, nisso, dá pra entender quando se vê gente que diz que assistiu Cavaleiros do Zodíaco depois de velho e não conseguiu gostar. 

Mas nem tudo pode ser só pancada. Masami Kurumada teve lá seus méritos.

O autor teve lá seus méritos na elaboração dos Cavaleiros de Ouro, que foram muito fieis aos seus signos, cada um bem alinhado com sua respectiva personalidade, em acordo com o horóscopo ocidental.

Mas mesmo assim, os aproveitou de maneira lamentavelmente ruim.

Aldebaran de Touro, um dos favoritos dos fãs, tem participações pífias em momentos importantes.

Que o digam os fãs de Máscara da Morte de Câncer e Afrodite de Peixes.

Em compensação às besteiras de Kurumada, alguns autores dignificaram a franquia com ótimos títulos, como o aclamadíssimo Saint Seiya: Lost Canvas, de Shiori Teshirogi e o Episodio G, de Megumu Okada. 

Menção honrosa para o recente Saintia Sho, com lindíssimos traços. 

Humilhação maior para Kurumada, impossível.

O autor, em resposta ao implacável sucesso de Lost Canvas, começou a fazer, de forma esporádica, a continuação da Saga de Hades, reescrevendo por cima da história de Shiori Teshirogi.

Não desceu bem. 

A história continuava ruim, e era uma mistureba de Guerra Santa contra Hades com Batalha das Doze Casas.

E os traços, coitados, foram uma prova que nada é tão ruim que não possa ficar pior.

Enfim, o resto vocês já devem supor só de pensar em algo feito por Kurumada.

Ainda na intenção de pegar carona no sucesso de Lost Canvas como um excelente produto, o autor produziu o novíssimo Soul of Gold neste ano.

E finalmente alguma coisa razoável sobre Cavaleiros do Zodíaco apareceu.

Bom aproveitamento dos personagens, desenrolar interessante, divertidinho.

Mas ficou claro para qualquer um que Kurumada copiou, na maior cara de pau, a essência de The Lost Canvas.

A atuação dos personagens, o enfoque nos Cavaleiros de Ouro, suas personalidades, a importância que cada um tem no desfecho da história, tudo.

Não adianta dizer que Kurumada "não copiou" pelo fato de ele ser o autor original de Saint Seiya. 

Os personagens originais e história, obviamente, são dele, e ninguém mais credenciado - em termos legais - do que o próprio autor original para fazer qualquer tipo de conteúdo relacionado.

Refiro-me à tônica da nova série. Muitíssimo similar à história de Shiori Teshirogi.

O recalque do "Mestre Kurumada" não tem limites.

Falando nisso, lembram do filme "Lenda do Santuário", lançado no ano passado?

Pois é. Investiram rios de dinheiro num filme cheio de CGI, porém horroroso em roteiro. As críticas, obviamente, foram gigantescas. 

Entre os fãs da série clássica, houve até uma fúria desmedida sobre o pobre Hermes Baróli, dublador do Seiya de Pégaso, por este ter dito que o filme era o "melhor produto já lançado sobre Saint Seiya".

Verdade seja dita: foi de fato a mais deslumbrante apresentação de qualquer tipo de conteúdo relacionado a Cavaleiros do Zodíaco. Nisso, Hermes estava certíssimo.

Mas foi uma das mais lamentáveis. O filme foi ruim. Arrecadou pouco dinheiro e foi exibido em apenas 9 ou 10 países ao redor do mundo, salvo engano.

Para que se tenha ideia do prejuízo, uma livre comparação com o mais recente filme de Dragon Ball, "Fukkatsu no F", mostra que o filme da franquia de Akira Toriyama foi muito mais barato e teve maior alcance e bilheteria.

Quem quiser apurar os dados, pode encontrar as bilheterias aqui (LoS) e aqui (FnF).

Enfim, falei em demasia.

Não precisam nem concordar com estas palavras. Pensem no diálogo a seguir e façam o exercício de raciocínio.

- Estou derrotado... Não tenho mais forças para me levantar. Estou perdido. Meu corpo está todo ferido. Esse deus é muito poderoso. Mas eu preciso continuar lutando. Por Atena. Saori está me chamando. SAORIIIIIII! 

- O que?! Como é que ele pode estar se levantando se estava quase morto há pouco?!

- Enquanto meu cosmo estiver aceso, meu corpo continuará a se levantar!

- Seu cosmo ainda não se apagou?!

- Sim, meu cosmo continua aceso! Agora queime cosmo! Só mais uma vez, queime até o infinito! Atinja o sétimo sentido, a força máxima dos cavaleiros!

- O sétimo sentido?! Não pode ser, seu cosmo está aumentando cada vez mais e mais!

- Sim, o sétimo sentido! Agora vou te derrotar com meu golpe mais poderoso!

- O que?! Seu golpe mais poderoso?!

- Sim, este é meu golpe mais poderoso! METEORO DE PÉGASO!!!

...

...

God is dead.

Esse diálogo é hipotético, mas não se afasta muito da tônica grandiloquente dos diálogos de Cavaleiros do Zodíaco.

O que, por si só, já faz com que a ação presente no desenho seja pobre.

Afinal, quem gosta de discursos enormes para um golpe que dura um segundo?

Podem refletir sobre isso à vontade.

Uma coisa, a meu ver, é certa: Saint Seiya é um shounen que não convence enquanto ação. E não convence mais ninguém.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Sobre a solubilidade das relações na era da internet


Já fui de cobrar atenção das pessoas.

E te falo: Não tem coisa pior.

Nunca cobre atenção de alguém. Ainda mais na internet.

Se você chegar a achar que precisa disso, se afaste da pessoa.

Pedir a atenção de um amigo, por mais que a intenção seja boa, gera repulsa e afastamento.

O advento da internet fez com que tivéssemos inúmeras possibilidades ao alcance de um clique, de alguns dígitos ao teclado.

Começa uma conversa aqui. Outra ali. E outra acolá. Não vingou de primeira? Esquece. Passa para a próxima.

Por essas que geralmente fico na minha quando alguém dá sinais de que desapegou e não se interessa mais em falar comigo.

Eventualmente lamento, pois às vezes eram pessoas cuja conversa eu estimava muito.

De qualquer forma, eis aqui o que já estou tentando por em prática.

Não mendigo mais a atenção de quem quer que seja.

Puxo conversa uma vez. Duas vezes, no máximo. Se a pessoa me der papo, chamo a segunda vez. 

E gosto de reciprocidade na procura. Se você está numa relação de amizade em que só você procura a outra pessoa, se afaste logo.

De qualquer forma, toda essa questão me faz ficar bastante preocupado com o andar das relações humanas contemporâneas, cada vez mais indiferentes.

Uma boa amizade deve ser recíproca e cuidada por ambas as partes.

Se você começar a sentir necessidade pela outra pessoa, de duas uma: Ou ela vai preferir se afastar, ou vai começar a pisar em você.

A verdade, nua e crua, é esta.

Por isso o desinteresse cada vez menor pelas relações, pelas saídas, por tudo o que uma vez significou amizade.

Ninguém quer ser a pessoa mais interessada em uma relação. Porque a resistência e durabilidade do que se tem por relação hoje é pífia.

Dormir na casa do amigo? Ganhar um abraço demorado? Passeios com frequência?

Esqueça.

As relações atuais, a meu ver, sofrem influência direta da era da Internet. Comunicação simples e viciante. E, acima de tudo, cômoda.

Sair para encontrar com um amigo para conversar? Para que? Facebook existe para isso. E você nem levanta o rabo da cadeira. 

Passeios? "Vamos marcar". 

Mas ninguém marca nada.

Pessoalmente, acho isso triste. 



quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Sobre um eleitor frustrado



"É preciso coragem para enfrentar os inimigos. Mas é preciso ainda mais coragem para enfrentar os amigos."

(Alvo Dumbledore)

Votei na Dilma e no PT no ano passado.

Não sou burro.

Não vendi meu voto.

Não sou pago pelo governo para continuar defendendo sua permanência.

Estou me sentindo - já faz algum tempo - lesado.

Eu votei por um projeto que me foi mostrado e que me era palpável, no qual eu acreditava que era o que o Brasil precisava.

Como também o fizeram outros 54 milhões de eleitores nas urnas no ano passado.

Não estou aqui dizendo que eu ainda defendo o governo. 

Não sou a favor dos desmandos que Dilma está perpetrando, suas alianças nefastas, suas medidas destrutivas que agradam a todos os que a querem fora do poder. 

Mas nenhuma migalha para seus eleitores, nem um caraminguá sequer para quem nela votou.

Dilma teria a seu dispor uma legião apaixonada, pronta a tomar as ruas se quisesse começar a agir de forma mais imponente e começasse a defender suas pautas.

Mas ela continua fazendo alianças e intermináveis concessões com o PMDB e as elites, que por sua vez continuarão engrossando as vozes por Impeachment. Ou renúncia.

Tentamos ajudar, mas ela não ajuda...

Nessas circunstâncias, embora muitos comprem a tese de que o criador da "Dilma Bolada" tenha abandonado o barco porque "a mesada miou", ele tem uma razão muito compreensível para fazê-lo que não necessariamente envolva a famigerada ideia de que estaria sendo pago.

Quem quiser dizer que eu sou ingênuo por crer que o cara não estava sendo pago, pode dizer, caguei.

Querem criticar o governo? Podem criticar, mas que seja com racionalidade.

Mas não torturem os eleitores de Dilma.

Podem acreditar: Se vocês se sentem frustrados, não podem imaginar o quanto eu e certamente a maioria dos 54 milhões de eleitores dela estamos, tendo votado em um projeto que ela abandonou à própria sorte.

Eles não tem culpa de nada. Votaram por um projeto em que acreditavam, assim como qualquer um de vocês faria.

Mas cuidado.

Isso não significa que eu estou abandonando o governo e começando a fazer coro de Impeachment.

E muito menos que hoje eu votaria no Aécio. Jamais eu votaria no Aécio.

Sou a favor de que Dilma continue governando, pois seria um desrespeito ao nosso voto se ela fosse colocada para fora sem mais nem menos.

Popularidade baixa? Base aliada no congresso reduzida? Isso não é motivo para impeachment.

Um crime de responsabilidade sim, o seria. 

Nas circunstâncias atuais, não cabe impeachment.

Enfim, fica meu desabafo.

E um apelo: 

Dilma, fica. Mas, pelo amor de Asimov, melhora.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Sobre amor saudável (?)


Estive pensando sobre algumas coisas tocantes à questão dos relacionamentos amorosos.

Especificamente, pensei sobre términos de relacionamento.

Alguns casais se separam e cada um segue sua vida em frente.

Outros voltam depois de um tempo.

E ainda em alguns outros, acontece de uma das partes não conseguir esquecer a outra.

E aí começa o calvário.

Dor. O dia todo, todos os dias.

E você não consegue esquecer a essência de seu cheiro, o sabor dos seus beijos, o delicioso aconchego dos seus abraços.

É compreensível, amigo. Imagino como deve ser este sentimento.

Mas e se em decorrência disso você começar a agir de forma inoportuna e inconveniente em relação a esta pessoa?

E se importuná-la com seus pedidos de volta, suas juras de amor eterno, sua paixão indômita?

Porque sim, isso satura.

Às vezes o afastamento é a melhor coisa que essa pessoa pode fazer em relação a você.

Antes de pensar que ela quer machucá-lo ao se afastar, primeiro pare para pensar.

Pense se o que está fazendo em prol desse objetivo é saudável para você.

O contato dói. Ver e não poder é difícil, duro, brabo, doloroso. 

Tão perto, mas tão longe.

Pense que ela pode estar simplesmente tentando poupar você de mais sofrimento.

Pense se suas investidas sobre ela dão frutos. O que você fez até aqui não deu certo?

Se não deu, pense sobre se ela quer ser conquistada, pense sobre se a felicidade dela tem a ver com a sua.

Pense se ela precisa estar com você para estar feliz tanto quanto você precisa dela.

Mas acima de tudo: Pense se é saudável você precisar de alguém para ser feliz.

domingo, 27 de setembro de 2015

Sobre destemperos


O destempero de Fernando Alonso no Grande Prêmio do Japão foi visível (e principalmente audível) para todos que viram a prova.

O espanhol estava possesso. Endiabrado. Angustiado. Puto da cara, mesmo.

Alonso havia até largado bem. Era o nono após a partida e se aproveitou dos vacilos costumeiros a uma largada.

Mas seu carro simplesmente não rendia no velocíssimo circuito de Suzuka. Alonso era uma chicane ambulante, tamanha sua lentidão.

Pelo rádio, as pérolas foram incontáveis. "É embaraçoso", disse o espanhol pelo rádio. Também reclamou da aderência, dizendo que parecia estar "guiando no gelo".

Patético.

Além de lento, o carro ainda é difícil de guiar.

O problema da McLaren não se limitava ao motor, afinal de contas.

A medida em que o espanhol sofria com o desempenho pífio de sua McLaren-Honda e era ultrapassado, eu previa sua fúria caso fosse ultrapassado, por exemplo, por um pivete sem cabelos no saco Max Verstappen.

E assim foi. Na volta 26, o asturiano tomou um passão de Verstappinho.

Por fora.

Era demais para o pretenso espanhol. Rei dos céus e do inferno, tamanha humilhação era inaceitável.

Enfurecido, Alonso disse pelo rádio: "GP2 engine. GP2. Aaaargh!"

A fúria do espanhol provocou estupor em alguns. Choque em outros. Fúria na cúpula da Honda? Com certeza. Pensei até que Alonso queria mesmo era ser demitido.

A mim? Divertidíssimo.

As inúmeras pérolas provocaram-me risadas fartas.

Não é segredo para ninguém que não gosto de Alonso.

Ri mesmo. Digo sem a menor reserva ou ressalva.

A paciência do asturiano esgotou. O clima na McLaren-Honda é cada vez mais detonador, destrutivo. E os japoneses não vão tolerar a humilhação que sofreram em seu próprio circuito, em sua casa.

Alguns dizem que um piloto como Alonso não merece passar por situação tão constrangedora.

Eu digo que ele merece, sim. E exatamente por ser este tipo de piloto.

Um mau jogador de equipe, arrogante, prepotente, irredutível, tremendamente cheio de si.

E, acima de tudo, um cara com péssima perspectiva profissional.

Não me entendam mal. Acho Alonso um dos mais habilidosos da atualidade na arte de conduzir um carro de corrida. Preciso. Cirúrgico.

Mas o espanhol é o único e total culpado de todas as desgraças que lhe acometeram neste ano de 2015.

Eu disse no começo do ano que o espanhol não iria aguentar essa situação por muito tempo.

Queimei a língua, ele aguentou até mais do que eu esperava. Mas ainda assim pouco, em vista da extensão do contrato que hoje o prende à McLaren.

De qualquer forma, tenho certeza que hoje, o que mais Alonso quer é se livrar da McLaren e ir ser feliz no WEC ou onde quer que seja.

Não estranharia se ele pagasse uma multa astronômica só para desistir do contrato.

Idade para chorar pitangas no pelotão da merda da Fórmula 1, Alonso não tem mais.

Aos 34 anos e completados 10 anos de seu empoeirado primeiro título mundial, é até justo que a paciência acabe.

É velho para os padrões da Fórmula 1, mas uma criança com um mundo a ganhar, se desenvolver fora dela a paciência e astúcia que lhe faltam.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Sobre crueldade

Primeiro: Isso não terá nada a ver com automobilismo.

Segundo: Isso aqui vai ser textão.

E um bem chato.

Portanto, quem não quiser ler textão, melhor fechar a aba ou ir ver outra coisa mais interessante.

Isto posto, vamos às divagações.


Vivemos numa sociedade cruel.

Um sistema no qual não nos é permitido parar e pensar: Por que não paramos?

Porque a nossa função, ou ao menos a função que é esperada de nós, é que não paremos.

Numa sociedade cujos dois grandes preceitos capitalistas são o trabalho e o consumo - sendo um o produto/objetivo do outro,

E tem dado certo para o tal sistema.

Embora em alguns lugares, como no Brasil, se pregue o contrário, a verdade é que trabalhamos mais nos dias de hoje do que em toda a história da humanidade. E, de forma curiosa mas não surpreendente, geralmente o que nos sobra em tempo livre é depositado na capacidade de consumir.

Essa é a dialética que tem pautado a sociedade capitalista, a meu ver: um ciclo vicioso entre trabalho e consumo.

Mas não vou entrar no mérito de fazer uma crítica ao capitalismo aqui, pois é um assunto que levaria esse blog inteiro à falência, aliado ao fato de que não disponho de bagagem intelectual para tanto.

Ao mesmo tempo, a mesma sociedade carrega outro estigma: O foco maior no indivíduo. E isso é sustentado por teóricos da pedagogia, como Carl Rogers.

Ora veja, um dos assuntos mais comentados no momento vigente é a depressão enquanto o mal do século XXI e a preocupação sobre esta enquanto se torna cada vez mais um problema de saúde pública.

E a depressão é, essencialmente, um problema que mexe com a subjetividade de cada indivíduo, cada caso devendo, portanto, ser tratado de acordo com a gravidade do nível da depressão, aliada à subjetividade do paciente. Não é um trabalho fácil, creio eu.

Assumindo essas ideias como sendo válidas, a questão que se propõe, afinal é a seguinte...

A intersecção destes fatos é apenas uma ironia?

Ou uma judiação inescrupulosa?

Ou ainda uma indecisão natural, tendo em vista que esta é uma sociedade marcada por múltiplas defesas de valores, até certo ponto individuais entre si, que parece viver grandes conflitos de identidade e que por isso não sabe o que quer?

Paremos para pensar sobre isto um pouco.

domingo, 20 de setembro de 2015

Sobre gente que faz história



A Fórmula 1 teve seu melhor final de semana em muitos anos.

Nem parecia a Fórmula 1 2015.

Mais parecia a época em que a Ferrari dominava a Fórmula 1, os tempos de Michael Schumacher.

A surpresa já começava, em termos, nos treinos de sexta. A Mercedes só liderou o primeiro treino.

Depois, só deu Red Bull e Ferrari.

Tudo bem, até aí. "A Mercedes está escondendo o jogo", pensamos todos em uníssono.

Sim, estava escondendo. Escondeu tão bem que não achou mais.

Na classificação, as forças se polarizaram entre Ferrari e Red Bull. A Mercedes ocupou o pelotão intermediário do top-10.

Na briga pela pole, Sebastian Vettel e Daniel Ricciardo, velhos conhecidos dos tempos de Red Bull, se digladiaram. O tetracampeão levou a melhor sobre o jovem australiano, por mais de meio segundo. Foi a primeira pole de uma Ferrari desde o GP da Alemanha 2012, com Fernando Alonso.

Sua penúltima volta lhe garantia a pole por mais de um décimo. O alemão, perfeccionista, baixou mais quatro e depois saiu reclamando que não havia feito o melhor que podia.

Quebrou o recorde da pole. Tinha talvez esquecido a essência da quebra de um recorde.

Na corrida, foi perfeito. Largou bem, andou como precisou nas horas certas e não deu chances a Ricciardo, que eventualmente apresentou ritmo superior. Nem as entradas de Safety Car foram um empecilho.

E venceu sua terceira no ano, a 42ª na carreira. Superou Ayrton Senna e se tornou o terceiro maior vencedor da categoria. Uma marca histórica, é verdade. Mas sem dramas. Sem chororôs. Apenas mais uma vitória colecionada.

Uma vitória maiúscula.

Daniel Ricciardo foi o segundo, depois de uma corrida em que foi perfeito, mas seu rival também. Kimi Raikkonen, hoje sem problemas, finalmente conseguiu chegar ao pódio junto a Vettel e coroar o final de semana perfeito da Ferrari.



As Mercedes não ganharam nada, mesmo. Nico Rosberg foi o quarto depois de muito garimpar. Lewis Hamilton abandonou com problemas de potência na sua unidade motriz. Que dia...

Com isso, Vettel vai a 203 pontos. Rosberg, o vice, apenas 8 pontos à frente. Hamilton, que abandonou, tem 252. Ainda é franco favorito ao tricampeonato. 

Menção honrosa para Max Verstappen, que cada vez mais ganha meu respeito. O jovem holandês ficou parado na largada e chegou a tomar volta dos adversários. Mas com uma mãozinha das entradas do safety car, conseguiu escalar o pelotão e chegar a uma merecida oitava colocação.

No final, a equipe lhe pediu para deixar Sainz passar e tentar passar Pérez. Ao que o pivete respondeu "No!" veementemente. Não consigo expressar direito a admiração por esse momento.

Rápido e louco. É disso que o povo gosta, Verstappinho. Hoje NÃO!

E na boa? A Fórmula 1 estava precisando de um final de semana como este. Por mais que a corrida tenha sido chata, foi maravilhoso ver a Mercedes no nível dos mortais, tomando tempo.

E vamos para Suzuka, onde tudo deverá voltar ao normal, com a Mercedes franca favorita a tudo.