quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Sobre a relutância em ser razoável



Antes de qualquer coisa: Eu não queria falar sobre esse tema no Facebook, aqui no blog ou onde quer que fosse.

É um tema desgastante, em todos os sentidos. Pessoas se estressam, desfazem amizades, agridem verbal e moralmente os outros e por aí vai.

Inclusive, pensem na estrutura desse texto como um prolongamento da ideia proposta no título. Ao longo de todas estas linhas, tentei ser o mais razoável possível, dentro das circunstâncias.

Não é outro daqueles textos que começam com "precisamos conversar sobre" e não querem conversar sobre porra nenhuma, só impõem conceitos. 

E não se propõe a apresentar a verdade sobre os temas discorridos, mas sim tão somente a perspectiva do autor. No caso, eu.

Isso posto, vamos ao batente.

Andei observando atentamente o circuito de debates e discussões nas redes sociais sobre feminismo e os sexismos, inflamado pelo tema da redação do ENEM e também pela questão que tratava sobre a ideologia de Simone de Beauvoir, retratada no trecho de "O Segundo Sexo", da autora francesa.

Acredito ser relevante falar de violência contra a mulher, uma vez que esse tipo de violência é recorrente Brasil afora. Mulheres continuam sofrendo bastante com violência de vários tipos, sendo a doméstica a mais recorrente.

Embora fosse muito interessante se surgisse alguém com a ideia de redigir uma redação contendo críticas contundentes à discriminação sofrida por mulheres transsexuais dentro do movimento feminista, por exemplo. Ou à violência doméstica entre casais lésbicos.

Já a questão sobre Beauvoir, para mim, nada mais foi do que uma questão de história. Quem não soubesse, se ferrava. Simples assim. Sem falar que as ideias de Beauvoir pouco tem a ver com o feminismo na forma atual em que este se apresenta.

Posso supor, e algumas amigas feministas até concordariam comigo, que a maioria das moças ditas feministas hoje sequer tocaram um livro de Beauvoir. Para ser prático, fiquemos no exemplo d'O Segundo Sexo.

Pergunte para qualquer feminista hoje sobre qualquer obra de alguma teórica social/feminista que ela tenha lido.

Poucas irão responder "Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir". Pouquíssimas, arrisco dizer.

E isso que existem DEZENAS de autoras feministas, com trabalhos datados de quando o movimento explodiu no século XX e que constituem o arcabouço teórico do feminismo em sua base intelectual. Assumo que só conheço em algum nível a autora francesa já citada, mas sei um pouco sobre a classificação das fases do movimento feminista.

Eu arriscaria dizer, sob risco de errar, que o que se tem por feminismo hoje é um arremedo da Terceira Onda Feminista.

Aliás, o que se tem por intelectualidade feminista hoje? Anita Sarkeesian? Lola Aronovich?

Entre outras coisas, vejo muitos extremismos nos discursos ditos feministas hoje. Por exemplo...

Homem: quero ser feminista!
Mulher: só mulheres, querido. Homem não pode dar pitaco em feminismo.

Mulher branca: quero lutar pelos direitos das mulheres negras no feminismo!
Mulher negra: Só mulheres negras, querida.

Emma Watson: Por um feminismo que una todas as mulheres e que não lute contra os homens, mas que lute pela igualdade de direitos entre homens e mulheres!
Femistas: Para de dar biscoito pra macho (sic), querida.

E, entre outras coisas, leio "No utherus, no opinion".

Mas essa restrição não é feita para homens que concordam com as ideias, só para os que discutem ou rechaçam de alguma forma.

Não tá fácil lidar com essa segregação dos vieses e nuances do movimento feminista, que parece estar se implodindo aos poucos por isso.

Não há igualdade de direitos sem diálogo.

Não há.

Os argumentos estão fraco, fundamentados de forma intelectualmente pobre. Isso quando não são falaciosos. 

Aliás, as falácias são o mais podre do que se tem por argumentação hoje, sendo o famoso "Argumentum Ad hominem" o mais frequente.

De um lado, temos "para de mimimi", "femimimista", "isso é falta de rola", "isso aí é besteira, tem coisa mais importante pra se preocupar".

Do outro, temos "cala a boca macho", "macho não tem que dar pitaco", "male tears", "iuzomismo", "amigxs unidxs" etc.

Isso quando não há a tentativa de encerrar o debate no grito, com frases como "não dá pitaco em opressão que você não sofre", ou - para não ficar batendo só em um lado - "vai caçar uma rola para chupar".

Debate se faz com ideias, não necessariamente apenas com vivências ou, como é de costume, com censura das opiniões inconvenientes.

As ideias feministas tem que se transpor por meio do debate intelectual sério e de alto nível, não pela gritaria e o destilamento de falácias.

O mesmo vale para o contraponto às formas atuais de se fazer feminismo. Chamem do que quiser, "humanismo", "masculinismo", "machismo".

Deixo claro que não sou feminista, mas também não sou contra a ideia-raiz do feminismo. 

Se eu tivesse 22 anos em meio aos movimentos feministas do século XX, provavelmente estaria lá junto às moças, apoiando o movimento em sua primeira ou segunda onda.

É preciso razoabilidade em tudo que fazemos na vida. 

Ainda mais quando a tendência vigente é emburrecer o discurso. 

Isso acontece em várias dicotomias, na verdade. 

Na do feminismo/femismo vs machismo/masculinismo, isso é ainda mais gritante.

Sejamos razoáveis, meu povo. 

Cheirunda.


Quem for discutir sobre o texto nos comentários, pode opinar se eu estou errado e explicar os motivos, mas não aceitarei argumentos falaciosos como "você é homem e não deveria estar falando sobre feminismo" ou "cala a boca macho", etc. Não quero sabotagem emburrecedora de discussões aqui. Apago mesmo. O blog é meu, escrevo o que quiser e não sou obrigado a ler coisas idiotas.

domingo, 25 de outubro de 2015

Sobre Austin, triunfos e chororôs



Esse era mais uma das corridas sobre as quais eu não iria escrever nada.

Não me interessa escrever sobre corridas em que a Mercedes ganha, por melhores que elas sejam. Ainda mais com dobradinha.

Mas esta teve circunstâncias que alimentaram satisfatoriamente meu apetite pela escrita.

Então vamos lá.

Em primeiro lugar, parabéns para Lewis Hamilton pelo tricampeonato. Merecido.

Injetou Red Bull na bola esquerda e correu feito o diabo neste ano. (ou Monster, que é o energético que patrocina a Mercedes)

Uma coisa interessante é que o título de Lewis, um piloto negro, foi selado no Texas, um estado ao sul dos Estados Unidos.

Quem gosta de história, vai pegar essa referência no ar.

E não tem mais o que falar sobre isso, especificamente.

Daí em diante, tenho alguns comentários que julgo pertinentes para fazer.

Acho lamentável, sinceramente, que com toda essa corrida maravilhosa, tenhamos tido dobradinha da Mercedes.

O que deixa clara uma coisa: O problema da Fórmula 1 não é a falta de boas corridas.

É a falta de alternativas. Pura e simplesmente.

Do que adianta você ter uma corrida belíssima se ela acaba de forma absolutamente sacal e comum?

Qual a graça de uma ruma de mudanças de conjuntura e liderança se temos dois carros da Mercedes fazendo dobradinha no final?

Sei lá... Por isso torço para que a Ferrari faça um carro/motor decente ano que vem.

Falando em Ferrari...

Onde estão os vaiadores de Sebastian Vettel?

Os que falavam a torto e a direito que o tedesco só ganharia com um carro de outro planeta?

Ah, mas é o Hamilton, um piloto do povão, cheio de apelo. Entendemos.

Não me entendam mal, não é que eu não goste de Hamilton. A questão é que eu sou indiferente a ele.

E o alemão, hoje, largou na 14ª colocação. Chegou ao pódio.

Ainda creem haver espaço para esse tipo de argumento contra o tetracampeão?

Vettel é, junto a Hamilton, o melhor piloto desse grid.

E, com o tri do inglês, os dois se estabelecem como os melhores pilotos da atualidade. Parelhos tanto em talento quanto em números.

Isso posto: Esqueçam Fernando Alonso. O tempo do espanhol já passou.

Sim, não tem nada a ver com ele, mas arrumo uma forma de falar sim.

Sou chato sim.

Não vou atrás do que fazer ou de uma muda de roupas pra lavar.

Me chame de hater, se quiser.

Aqui eu falo o que eu quiser e foda-se.

Vettel e Hamilton somam juntos números gigantescos e estão se alternando nesse campo.

Alonso parou no tempo. Hoje, o espanhol vive de passado e de publicidade.

E da aparentemente inquebrantável persistência de seus fãs.

Falando nisso, uma perguntinha aos fãs de Fernandinho...

Se o espanhol é unanimemente o melhor da atualidade entre jornalistas e chefes de equipe... Por que cargas d'água ele não consegue vaga numa Mercedes, por exemplo?

Enfim, essa resposta deixo a cargo de vocês em suas reflexões internas.

Já coloquei minha opinião sobre Alonso neste blog a rodo e não pretendo repeti-la.

Enfim... No mais, tivemos uma ótima corrida.

Mas também tivemos 1-2 mercêdico, Rosberg bundão e Vettel comendo pelas beiradas.

Ao público leigo ou ao fã que perdeu a corrida e fica sabendo do resultado pela internet, fica tipo a sensação:

"É apenas mais uma corrida sem alternativas e que todo mundo sabe que quem vai ganhar é o cara da Inglaterra que tem o carro melhor que os outros."

Tô queimando a língua, provavelmente, mas a sensação que essa F1 sem alternativas ou contraponto às vitórias da Mercedes é exatamente essa.

As circunstâncias eram similares com Vettel? Eram.

Mas não tão escancaradamente.

Enfim, cheirunda em vocês.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Sobre crianças incríveis e cabeças de bagre

Valentina Schulz e Erick Jacquin (Foto: Reprodução/Facebook)

Dei uma bisoiada inicial no tal do "Masterchef Junior".

Achei divertidinho, fofinho, as crianças surpreendem pela maturidade na cozinha e tal...

Essas crianças cozinham demais, caras. Vocês não ficam estupefatos?

Eu fiquei, e muito. Não saco nada de cozinha. Esses pivetes se garantem.

Ainda mais que eles possuem todo o potencial inerente a uma criança. Curiosidade, concentração, vontade de aprender e de melhorar...

Mais maduros do que muitos dos adultos que participaram das edições anteriores.

Muito lindo ver esses gurizinhos e gurizinhas trabalhando.

E, acima de tudo, é bom que se frise uma coisa:

A cozinha, assim como toda atividade infantil, deve ser, acima de tudo, divertida e prazerosa para a criança que pratica.

Nunca deve ser uma exigência e nunca se deve colocar uma carga emocional sobre ela.

Levo esse tipo de máxima para toda a sorte de atividade possível. Futebol, Kart, enfim, qualquer tipo de atividade.

Isso estimula a produtividade, a alegria e efetiva o potencial criativo e a habilidade.

Enfim.

Mas como nem tudo são rosas...

Também entendi melhor a questão da pedofilia.

Fiquei lamentavelmente surpreso ao ver esse tipo de coisas acontecendo.

Esse tipo de perversão, gente... É repugnante, imoral, destrutiva, dolorosa, detonadora.

A Valentina? É bonitinha, fofinha, OK.

Acima de tudo, é uma CRIANÇA. Metam isso nas suas cabeças de bagre.

Respeitem a condição de inocência à qual toda criança tem direito enquanto está em formação.

Em hipótese NENHUMA se flerta com uma criança. Ainda mais desse jeito, descarado e totalmente desfraldado.

Lamentável. Simplesmente ridículo.

domingo, 18 de outubro de 2015

Sobre egos globais despeitados


Demorei um pouco para escrever sobre essa questão do fim da transmissão das classificações na Fórmula 1. 

Na verdade, eu não iria escrever, mesmo.

Mas me vi desenvolvendo um pensamento extenso a respeito disso e acabei vendo a oportunidade disso virar mais um texto aqui no blog.

Funciona assim: A Globo põe Galvão Bueno, um narrador-torcedor, e ao lado dele Reginaldo Leme, um homem entendido mas muito complacente. 

O mesmo vale para Burti, que entende mas não questiona as opiniões de Galvão. 

SIM, Galvão, que deveria narrar, opina durante as corridas e toma pra si, além da função de narrador e de torcedor junto ao "público" - público esse que detona pilotos brasileiros a torto e a direito - a de comentarista. 

Leme e Burti estão lá para serem os papagaios de pirata dele. Essa é a lamentável verdade.

Embora Reginaldo acabe sendo, pela sua figura de jornalista-automobilístico experiente, mais do que isso, ocasionalmente.

Mas sabe quando você tenta dar sopa quente na boca de uma criança à força? Pois é, sabe o que ela faz? Cospe tudo na tua cara.

O público entendido não gosta e vive criticando. 

Nas redes sociais, os profissionais de TV da F1 na Globo são achincalhados a esmo, bem como a própria forma de a Globo conduzir a atração.

O que é, na verdade, um problema da Globo de um modo geral nesses tempos: ela não sabe lidar com o retorno do público. 

Ou, se sabe, não quer, por birra.

Aliada a essa situação, em adição ao fato que a audiência da F1 vinha caindo vertiginosamente nos últimos 4-5 anos, foi demais para os globais, que chutaram o balde e acabaram com a brincadeira.

Mas é engraçado, isso tudo. Há anos que o que se critica era a forma da Globo conduzir as transmissões, bem como os profissionais que nelas trabalhavam.

O fato é que tudo isso foi uma grande briga de egos entre a vontade do público de F1 e a vontade dos globais.

Mas é bom salientar que esses problemas se resolveriam de forma muito menos drástica se a Globo arrumasse outros profissionais para trabalharem na atração.

O Reginaldo Leme é ótimo. Trocassem o Galvão pelo Sergio Maurício e o Burti pelo Max Wilson. Sergio, arrisco dizer, é o melhor narrador automobilístico dos últimos anos, e Max Wilson é um bom comentarista no SporTV.

Aliás, a transmissão do SporTV é um primor. Irreverente, interessante e com opiniões sortidas. Nenhum narrador toma para si as responsabilidades de seus colegas.

Mas isso nunca vai acontecer.

Porque a ideia da Globo é essa aí embaixo.

"Querem assistir corrida? Vão ter que aguentar os profissionais que eu colocar pra trabalharem na transmissão, para falar o que eu quiser em termos de informação e manter o público que não entende das corridas sem entender".

E assim, aos poucos, vai morrendo a F1 na TV aberta.

Quem sabe, em algum tempo, até a F1 na TV brasileira.



quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Sobre motores e agruras



Daí vejo gente comemorando o "salvamento" da Red Bull em vista das novas regras de fornecimento de motores para 2016 na Fórmula 1.

Para que se entenda, essa regra estabelece que as fabricantes devem fornecer unidades motrizes iguais para todas as suas equipes clientes.

Em suma: Mercedes terá os mesmos motores que hoje fornece para Force India, Williams e Lotus.

Ruim para as pretensões das fabricantes. Mercedes e Ferrari hoje possuem os maiores dividendos da Fórmula 1.

Mas a regra é ótima e merece ser comemorada, pois deve equilibrar as coisas para as equipes médias em relação às grandes.

Quem sabe uma chance maior de pódios para Sauber e Force India - que, aliás, fez pódio em Sochi com Pérez.

Mas, ainda sobre a Red Bull... Para ser sincero, não entendi a comemoração.

Sabe-se que a Ferrari não aceitou fornecer motores.

A Mercedes também não.

A Renault pode muito bem fazer bico e humilhar a equipe do energético ainda mais, isso se aceitar continuar fornecendo seus motores.

Enfim...

Por mim, se sou Dietrich Mateschitz, aproveito enquanto a situação ainda não está tão humilhante quanto pode ficar.

Junto a trouxa e vou-me embora para Pasárgada. 

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Sobre roupas íntimas, arbítrio e frescuras

O texto a seguir contém conjecturas minhas e não presumo que minha opinião seja a verdadeira em detrimento das outras. Assim, não devem se sentir ofendidos aqueles que tiverem um ponto de vista diferente se o teor do texto lhes soar imperativo quanto às opiniões pelas quais devem se pautar. E vamos que vamos que atrás vem gente.

Daí leio em algum lugar que há homens que não gostam de calcinhas da cor bege. E que elas deveriam parar de usá-las.

Não que homens não possam opinar sobre o que eles gostam ou não em mulheres. Acho que, não sendo sexista, tá valendo. 

Pode dizer que não gosta desse ou daquele batom, que gosta ou não de maquiagem, que gosta disso ou daquilo ou não. 

Pessoalmente, não sou de me meto nisso. Geralmente guardo minhas preferências pessoais para mim, pois apenas a mim elas interessam.

Até aí, apenas a expressão de preferências pessoais, sem quaisquer interferências no modo de vestir das mulheres. Afinal, dizer que não gosta de alguma coisa não é o mesmo que tentar censurá-la.

Contudo, avançar e, por exemplo, dizer o que elas devem ou não fazer/usar nesse aspecto, é de um descabido sexismo, sendo, portanto, totalmente reprovável. 

Ponto.

Mas pera lá... não gostar de calcinhas porque são dessa ou daquela cor?

Pra começo de conversa, o problema já é você não gostar de calcinhas. Ou de qualquer tipo de roupa íntima.

Aqui no Ceará, chamamos isto de frescura. No caso, uma das mais medonhas.

Agora, falando como apreciador de roupas íntimas femininas...

Creio que roupas íntimas dão um ar de mistério, potencializam a sensualidade da mulher e o desejo daqueles ou daquelas que ela atinge de forma proposital ou não.

A cor pouco deveria importar.

Cá entre nós, eu e vocês que estão a ler esse texto, acho calcinhas de qualquer cor incrivelmente sensuais. As de cor bege, então...

Podem me chamar de fetichista. No sentido de gostar disso ou daquilo nesse âmbito, sou mesmo. E falo o que eu quiser aqui, foda-se.

Vocês, homens e mulheres (principalmente mulheres), que falam este tipo de impropérios, façam-me o favor: 

Assumam logo que vocês entram na piscina pela escadinha.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Sobre ruindades e desilusões


Nos últimos meses eu estive conversando sobre alguns amigos e prestando atenção em alguns conteúdos.

Em especial, um assunto me interessou muito: A franquia "Cavaleiros do Zodíaco".

Desde pequeno sempre fui muito fã dos Cavaleiros. Tive minha fase de achar o animê/mangá muito bons, divertidos e tudo o mais.

A bem da verdade, ainda acho CDZ divertido em alguns momentos. Vira e mexe re-assisto e bate aquela nostalgia.

Mas a medida que o tempo passa, você vai conhecendo outras coisas. Outros animes e mangás, e até obras do mundo ocidental.

Na verdade, foi tudo o que não faltou nas épocas subsequentes à febre de Saint Seiya, principalmente com o advento da internet. 

A febre do download, dos animês em RMVB, do Real Alternative/Real Player/Não-sei-o-que-player/XP Codec Pack... 

Tudo isso democratizou de forma nunca antes vista o acesso a todo tipo de conteúdo de um modo geral, mas em particular diferentes tipos de animê.

E surgiram muitos. Alguns de qualidade excelente, como o aclamado Full Metal Alchemist, Death Note, Bleach etc.

De modo que é consenso entre alguns amigos a seguinte coisa: É impossível gostar de Cavaleiros do Zodíaco se você começa a assistir depois de velho.

Ou, na pior das hipóteses, improvável.

É difícil ver Cavaleiros do Zodíaco com os mesmos olhos infantes e brilhantes a medida que você cresce. Se você consegue manter o mesmo brilho, provavelmente é pela nostalgia, mesmo.

Como se não bastasse, é consenso entre os fãs de animês e de conteúdos similares que Cavaleiros do Zodíaco perdia fortemente em qualidade para obras como Rurouni Kenshin (Samurai X), YuYu Hakusho, Slam Dunk, Dragon Ball, Gundam, Inuyasha, One Piece, Evangelion, ...

Sem mais delongas, eis aqui o que eu acho. 

Cavaleiros do Zodíaco é ruim. 

O traço do mangá (consequentemente do autor) é ruim.

O que salvou o animê foi a ótima arte de animação de alguns desenhistas da produtora, Toei Animation, pois o design das armaduras em Kurumada era simplesmente patético.

A história é fraca e repetitiva. 

Os diálogos são quase sempre trocas de discursos apaixonados e grandiloquentes, que por vezes chegam a ser entediantes. 

As lutas, salvo raras ocasiões, perdem o ritmo por isso. Isso sem falar no péssimo desenvolvimento da história. 

As doze casas até que empolgam. Asgard, a saga Filler (considerando o propósito de um filler em animês, encher linguíça) pasmem, é uma das melhores junto à primeira. 

Já Poseidon e Hades... Tsc. 

Se você não for tomado pela nostalgia ao ler esse texto, provavelmente é a essa conclusão que irá chegar.

E, nisso, dá pra entender quando se vê gente que diz que assistiu Cavaleiros do Zodíaco depois de velho e não conseguiu gostar. 

Mas nem tudo pode ser só pancada. Masami Kurumada teve lá seus méritos.

O autor teve lá seus méritos na elaboração dos Cavaleiros de Ouro, que foram muito fieis aos seus signos, cada um bem alinhado com sua respectiva personalidade, em acordo com o horóscopo ocidental.

Mas mesmo assim, os aproveitou de maneira lamentavelmente ruim.

Aldebaran de Touro, um dos favoritos dos fãs, tem participações pífias em momentos importantes.

Que o digam os fãs de Máscara da Morte de Câncer e Afrodite de Peixes.

Em compensação às besteiras de Kurumada, alguns autores dignificaram a franquia com ótimos títulos, como o aclamadíssimo Saint Seiya: Lost Canvas, de Shiori Teshirogi e o Episodio G, de Megumu Okada. 

Menção honrosa para o recente Saintia Sho, com lindíssimos traços. 

Humilhação maior para Kurumada, impossível.

O autor, em resposta ao implacável sucesso de Lost Canvas, começou a fazer, de forma esporádica, a continuação da Saga de Hades, reescrevendo por cima da história de Shiori Teshirogi.

Não desceu bem. 

A história continuava ruim, e era uma mistureba de Guerra Santa contra Hades com Batalha das Doze Casas.

E os traços, coitados, foram uma prova que nada é tão ruim que não possa ficar pior.

Enfim, o resto vocês já devem supor só de pensar em algo feito por Kurumada.

Ainda na intenção de pegar carona no sucesso de Lost Canvas como um excelente produto, o autor produziu o novíssimo Soul of Gold neste ano.

E finalmente alguma coisa razoável sobre Cavaleiros do Zodíaco apareceu.

Bom aproveitamento dos personagens, desenrolar interessante, divertidinho.

Mas ficou claro para qualquer um que Kurumada copiou, na maior cara de pau, a essência de The Lost Canvas.

A atuação dos personagens, o enfoque nos Cavaleiros de Ouro, suas personalidades, a importância que cada um tem no desfecho da história, tudo.

Não adianta dizer que Kurumada "não copiou" pelo fato de ele ser o autor original de Saint Seiya. 

Os personagens originais e história, obviamente, são dele, e ninguém mais credenciado - em termos legais - do que o próprio autor original para fazer qualquer tipo de conteúdo relacionado.

Refiro-me à tônica da nova série. Muitíssimo similar à história de Shiori Teshirogi.

O recalque do "Mestre Kurumada" não tem limites.

Falando nisso, lembram do filme "Lenda do Santuário", lançado no ano passado?

Pois é. Investiram rios de dinheiro num filme cheio de CGI, porém horroroso em roteiro. As críticas, obviamente, foram gigantescas. 

Entre os fãs da série clássica, houve até uma fúria desmedida sobre o pobre Hermes Baróli, dublador do Seiya de Pégaso, por este ter dito que o filme era o "melhor produto já lançado sobre Saint Seiya".

Verdade seja dita: foi de fato a mais deslumbrante apresentação de qualquer tipo de conteúdo relacionado a Cavaleiros do Zodíaco. Nisso, Hermes estava certíssimo.

Mas foi uma das mais lamentáveis. O filme foi ruim. Arrecadou pouco dinheiro e foi exibido em apenas 9 ou 10 países ao redor do mundo, salvo engano.

Para que se tenha ideia do prejuízo, uma livre comparação com o mais recente filme de Dragon Ball, "Fukkatsu no F", mostra que o filme da franquia de Akira Toriyama foi muito mais barato e teve maior alcance e bilheteria.

Quem quiser apurar os dados, pode encontrar as bilheterias aqui (LoS) e aqui (FnF).

Enfim, falei em demasia.

Não precisam nem concordar com estas palavras. Pensem no diálogo a seguir e façam o exercício de raciocínio.

- Estou derrotado... Não tenho mais forças para me levantar. Estou perdido. Meu corpo está todo ferido. Esse deus é muito poderoso. Mas eu preciso continuar lutando. Por Atena. Saori está me chamando. SAORIIIIIII! 

- O que?! Como é que ele pode estar se levantando se estava quase morto há pouco?!

- Enquanto meu cosmo estiver aceso, meu corpo continuará a se levantar!

- Seu cosmo ainda não se apagou?!

- Sim, meu cosmo continua aceso! Agora queime cosmo! Só mais uma vez, queime até o infinito! Atinja o sétimo sentido, a força máxima dos cavaleiros!

- O sétimo sentido?! Não pode ser, seu cosmo está aumentando cada vez mais e mais!

- Sim, o sétimo sentido! Agora vou te derrotar com meu golpe mais poderoso!

- O que?! Seu golpe mais poderoso?!

- Sim, este é meu golpe mais poderoso! METEORO DE PÉGASO!!!

...

...

God is dead.

Esse diálogo é hipotético, mas não se afasta muito da tônica grandiloquente dos diálogos de Cavaleiros do Zodíaco.

O que, por si só, já faz com que a ação presente no desenho seja pobre.

Afinal, quem gosta de discursos enormes para um golpe que dura um segundo?

Podem refletir sobre isso à vontade.

Uma coisa, a meu ver, é certa: Saint Seiya é um shounen que não convence enquanto ação. E não convence mais ninguém.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Sobre a solubilidade das relações na era da internet


Já fui de cobrar atenção das pessoas.

E te falo: Não tem coisa pior.

Nunca cobre atenção de alguém. Ainda mais na internet.

Se você chegar a achar que precisa disso, se afaste da pessoa.

Pedir a atenção de um amigo, por mais que a intenção seja boa, gera repulsa e afastamento.

O advento da internet fez com que tivéssemos inúmeras possibilidades ao alcance de um clique, de alguns dígitos ao teclado.

Começa uma conversa aqui. Outra ali. E outra acolá. Não vingou de primeira? Esquece. Passa para a próxima.

Por essas que geralmente fico na minha quando alguém dá sinais de que desapegou e não se interessa mais em falar comigo.

Eventualmente lamento, pois às vezes eram pessoas cuja conversa eu estimava muito.

De qualquer forma, eis aqui o que já estou tentando por em prática.

Não mendigo mais a atenção de quem quer que seja.

Puxo conversa uma vez. Duas vezes, no máximo. Se a pessoa me der papo, chamo a segunda vez. 

E gosto de reciprocidade na procura. Se você está numa relação de amizade em que só você procura a outra pessoa, se afaste logo.

De qualquer forma, toda essa questão me faz ficar bastante preocupado com o andar das relações humanas contemporâneas, cada vez mais indiferentes.

Uma boa amizade deve ser recíproca e cuidada por ambas as partes.

Se você começar a sentir necessidade pela outra pessoa, de duas uma: Ou ela vai preferir se afastar, ou vai começar a pisar em você.

A verdade, nua e crua, é esta.

Por isso o desinteresse cada vez menor pelas relações, pelas saídas, por tudo o que uma vez significou amizade.

Ninguém quer ser a pessoa mais interessada em uma relação. Porque a resistência e durabilidade do que se tem por relação hoje é pífia.

Dormir na casa do amigo? Ganhar um abraço demorado? Passeios com frequência?

Esqueça.

As relações atuais, a meu ver, sofrem influência direta da era da Internet. Comunicação simples e viciante. E, acima de tudo, cômoda.

Sair para encontrar com um amigo para conversar? Para que? Facebook existe para isso. E você nem levanta o rabo da cadeira. 

Passeios? "Vamos marcar". 

Mas ninguém marca nada.

Pessoalmente, acho isso triste. 



quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Sobre um eleitor frustrado



"É preciso coragem para enfrentar os inimigos. Mas é preciso ainda mais coragem para enfrentar os amigos."

(Alvo Dumbledore)

Votei na Dilma e no PT no ano passado.

Não sou burro.

Não vendi meu voto.

Não sou pago pelo governo para continuar defendendo sua permanência.

Estou me sentindo - já faz algum tempo - lesado.

Eu votei por um projeto que me foi mostrado e que me era palpável, no qual eu acreditava que era o que o Brasil precisava.

Como também o fizeram outros 54 milhões de eleitores nas urnas no ano passado.

Não estou aqui dizendo que eu ainda defendo o governo. 

Não sou a favor dos desmandos que Dilma está perpetrando, suas alianças nefastas, suas medidas destrutivas que agradam a todos os que a querem fora do poder. 

Mas nenhuma migalha para seus eleitores, nem um caraminguá sequer para quem nela votou.

Dilma teria a seu dispor uma legião apaixonada, pronta a tomar as ruas se quisesse começar a agir de forma mais imponente e começasse a defender suas pautas.

Mas ela continua fazendo alianças e intermináveis concessões com o PMDB e as elites, que por sua vez continuarão engrossando as vozes por Impeachment. Ou renúncia.

Tentamos ajudar, mas ela não ajuda...

Nessas circunstâncias, embora muitos comprem a tese de que o criador da "Dilma Bolada" tenha abandonado o barco porque "a mesada miou", ele tem uma razão muito compreensível para fazê-lo que não necessariamente envolva a famigerada ideia de que estaria sendo pago.

Quem quiser dizer que eu sou ingênuo por crer que o cara não estava sendo pago, pode dizer, caguei.

Querem criticar o governo? Podem criticar, mas que seja com racionalidade.

Mas não torturem os eleitores de Dilma.

Podem acreditar: Se vocês se sentem frustrados, não podem imaginar o quanto eu e certamente a maioria dos 54 milhões de eleitores dela estamos, tendo votado em um projeto que ela abandonou à própria sorte.

Eles não tem culpa de nada. Votaram por um projeto em que acreditavam, assim como qualquer um de vocês faria.

Mas cuidado.

Isso não significa que eu estou abandonando o governo e começando a fazer coro de Impeachment.

E muito menos que hoje eu votaria no Aécio. Jamais eu votaria no Aécio.

Sou a favor de que Dilma continue governando, pois seria um desrespeito ao nosso voto se ela fosse colocada para fora sem mais nem menos.

Popularidade baixa? Base aliada no congresso reduzida? Isso não é motivo para impeachment.

Um crime de responsabilidade sim, o seria. 

Nas circunstâncias atuais, não cabe impeachment.

Enfim, fica meu desabafo.

E um apelo: 

Dilma, fica. Mas, pelo amor de Asimov, melhora.