
Desde muito novo, eu sou fã de Harry Potter. Pode-se dizer que as obras da autora J.K Rowling me encantaram por décadas, com sua história cativante, protagonistas carismáticos, suspenses tensos e drama envolvente e o principal, um Universo Mágico extremamente envolvente, porém em grande medida simples e direto ao ponto. Uma saga que desafiou gigantes como Star Wars, Star Trek e até, em alguma medida, Senhor dos Anéis em popularidade, e que foi, por muito tempo, uma unanimidade em matéria de fantasia para crianças e adolescentes. Esse público, por sinal, cresceu com Harry Potter, numa época em que a coisa era mais ou menos Deus no céu e J.K. Rowling na terra, com a autora vivendo o ápice da popularidade, sendo tida como uma "fada sensata" pela maior parte da sociedade. A franquia era uma máquina de imprimir dinheiro infinito, então parecia tudo muito bom para todo mundo, ainda mais com "Animais Fantásticos" saindo e tendo alguma aderência do público.
Mas... algumas coisas mudaram nos últimos 5 ou 6 anos. A autora não é mais uma unanimidade em face de seus posicionamentos transfóbicos, "Animais Fantásticos" recebeu backlashing tremendo em face à bagunça nos bastidores com a troca do ator do vilão, e "Harry Potter", hoje, sofre muitas críticas retroativas hoje em dia por aspectos que, ao que parece, eram relevados ou pouco notados, mas que ganharam força em face à derrocada da figura pública da autora. Eu não vou entrar muito em detalhes porque isso seria tema para outro texto.
Cá estou com meus 32 anos, e talvez - TALVEZ - eu tenha como contribuir com mais um aspecto no qual eu acredito que Harry Potter tenha falhado flagrantemente em sua saga.
Já repararam como essa escola sofre profundamente de uma péssima administração pedagógica, qualquer que seja o diretor?
Porque, sejamos sinceros: Hogwarts é uma das piores escolas já retratadas na ficção moderna. E não digo isso por implicância — é mais por observação e análise pedagógica e dialógica. Quase todos os professores, de uma forma ou de outra, praticam humilhações públicas, aplicam punições arbitrárias e não têm qualquer preparo emocional ou pedagógico para lidar com crianças e adolescentes. E o mais curioso: a narrativa nunca contesta isso. O autoritarismo e a humilhação são tratados como traços excêntricos e até carismáticos de Hogwarts. "Parte do charme".
É como se a própria saga dissesse “aqui é assim mesmo, aceite”. Por sinal, há uma linha de "Pedra Filosofal" onde Malfoy, ao contestar a detenção sofrida por estar fora da cama após denunciar a turma de Harry por cometer a mesma infração, recebe de Hagrid a resposta de que "Hogwarts é assim". A detenção: acompanhar Hagrid em uma missão na Floresta Proibida, que Dumbledore disse, na primeira noite do ano letivo, ser proibida a todos os estudantes. Paciência.
Se existe um nome que simboliza o que há de mais problemático na dinâmica pedagógica de Hogwarts, esse nome é Severo Snape. A saga o pinta como um personagem complexo — e ele é, sem dúvida. Um homem ferido, cheio de contradições, preso ao passado e guiado por ressentimentos. Mas uma coisa não pode ser romantizada: Snape é um péssimo professor. Não é apenas uma questão de “rigor” ou “exigência”. É uma questão de abuso de autoridade. Ele humilha publicamente alunos, faz comentários pessoais e cruéis, pune desproporcionalmente e, o mais grave, alimenta um ambiente de medo e constrangimento como método pedagógico. Sua forma de ensino se baseia em rebaixar quem erra — ou quem simplesmente não gosta.
Neville Longbottom é talvez a maior vítima dessa postura: um aluno inseguro, claramente com sintomas de ansiedade e medo crônico, tratado por Snape como se fosse um estorvo. Há uma cena que diz muito sobre isso: quando o Bicho-Papão de Neville assume a forma do próprio Snape. Pensa bem — o professor é literalmente o maior medo de um aluno de 13 anos. Isso, em qualquer escola do mundo real, seria motivo de intervenção imediata. Em Hogwarts, no entanto, é tratado quase como uma piada.
E não para por aí. Snape ridiculariza Hermione por seu esforço e inteligência (“Nossa insuportável sabe-tudo”), humilha Harry sempre que pode por motivos pessoais ligados ao pai dele, e protege os sonserinos mesmo quando eles agem de forma claramente antiética — o caso de Draco é emblemático. Tudo isso seria apenas antipático, se não fosse o fato de que a narrativa, por anos, nunca o responsabiliza.
O grande truque da série é transformar o sofrimento que Snape causa em uma espécie de “preço da complexidade moral”. Como se a dor que ele inflige fosse compensada por sua lealdade final ou por seu amor trágico por Lílian Potter. Mas não é assim que educação funciona. O arrependimento de um adulto não apaga o trauma de uma criança. E nada justifica o uso sistemático da humilhação como ferramenta de ensino. Quando deveria ser o adulto na sala, o professor age com muitos traços da criança humilhada e negligenciada que foi em seus anos de escola, repetindo o ciclo.
O mais assustador é que o texto nunca oferece um contraponto institucional. Dumbledore, que deveria ser o responsável por supervisionar seus professores, nunca intervém. Nenhum colega o confronta.
Nenhum aluno tem a quem recorrer. É como se o abuso fosse naturalizado, diluído na aura de “mistério” e “respeito” que envolve Snape. O problema, no entanto, vai além de Snape e sua coleção de abusos verbais. A questão é estrutural. Hogwarts é uma instituição que confunde autoridade com autoritarismo, e disciplina com humilhação. Não há um único indício, ao longo de sete livros e oito filmes, de que exista um conselho pedagógico, um psicólogo, ou sequer um protocolo para lidar com traumas e bullying — algo irônico em uma escola que abriga alunos órfãos de guerra, perseguidos por seus próprios familiares e constantemente expostos ao perigo.
E o mais impressionante é que isso nunca é tematizado, nunca é objeto de crítica interna. Nem Dumbledore, nem McGonagall, nem ninguém jamais questiona o método de outro professor. Snape pode humilhar Neville até ele desabar de medo, Trelawney pode traumatizar alunos com previsões de morte, e o zelador Filch pode desejar tortura física — e tudo é tratado com naturalidade, como “parte do charme” de Hogwarts.
E se Snape é o rosto mais visível do problema, Neville Longbottom é o corpo que carrega suas consequências. Poucos personagens representam tão bem o fracasso pedagógico de Hogwarts quanto ele.
Desde o primeiro livro, Neville é ridicularizado — pelos professores, pelos colegas e, o que é pior, pela própria estrutura da escola, que não oferece nenhuma forma de amparo. O menino é desastrado, inseguro e sofre com a memória dos traumas familiares. É o tipo de aluno que, no mundo real, despertaria preocupação genuína de qualquer educador. Mas em Hogwarts, ele vira alvo cativo de humilhações e piadas. Snape o aterroriza a ponto de o garoto tremer durante as aulas. McGonagall, ainda que muito mais justa e respeitável, também o expõe ao ridículo em certos momentos, tratando suas falhas como falta de esforço, e não como sinais de medo ou ansiedade. Nem Hagrid, que deveria ser a figura mais empática, demonstra perceber o quanto Neville é constantemente marginalizado E o mais doloroso é que nem os amigos de sua própria casa o poupam. Rony e até Harry, em vários momentos, zombam de suas trapalhadas ou o tratam como um peso morto — algo que a narrativa apresenta de forma leve, como “alívio cômico”. Só que não há nada de cômico em ver uma criança ser diminuída repetidamente até acreditar que não tem valor.
Um dos exemplos mais gritantes da negligência ocorre em "Harry Potter e a Câmara Secreta", quando Neville é atingido pelo grito de uma mandrágora durante a aula de Herbologia e desmaia. O filme deixa claro que essas mandrágoras, embora ainda jovens, possuem gritos capazes de deixar qualquer aluno inconsciente por horas — um perigo real, mesmo que não letal. No entanto, a reação da professora Sprout é notavelmente displicente: “tudo bem, deixem ele aí”. Ninguém leva Neville à ala hospitalar, ninguém avalia seu estado, ninguém toma qualquer medida de segurança mínima. Ele é simplesmente abandonado no chão, enquanto a aula continua.
Esse episódio é sintomático de uma cultura escolar que normaliza o sofrimento e a exposição ao risco como parte da experiência educativa. Não se trata de um erro isolado de um professor distraído, mas de um padrão que percorre toda a escola: a vida e a segurança dos alunos são secundárias à continuidade das aulas e à manutenção da autoridade docente. Neville, o estudante mais vulnerável, é repetidamente colocado em situações de perigo e humilhação — às vezes pela crueldade explícita de Snape, outras vezes pela indiferença ou negligência de professores que deveriam protegê-lo. Essa cena evidencia que Hogwarts não é apenas um ambiente difícil ou desafiador, mas um espaço institucionalmente cego às necessidades de seus alunos mais frágeis, reforçando a leitura de que a série naturaliza práticas pedagógicas abusivas.
O caso de Neville é um retrato cristalino do que Bourdieu chamaria de violência simbólica — aquela que se exerce de forma tão naturalizada que nem parece violência - imposta através de ideias e significados. Em Hogwarts, ela está em todo lugar: nas piadas, nas comparações, nas notas, na ausência de acolhimento.
A escola ensina que, se você não é brilhante, corajoso ou excepcional, você é invisível, ou talvez ainda pior... você é indesejável. E o que é mais perverso: quando Neville finalmente mostra coragem — enfrentando os amigos para impedir que se metam em mais uma confusão —, isso é tratado como algo “surpreendente”, quase “milagroso”. Dumbledore lhe dá dez pontos, um gesto bonito, sim, mas que também escancara o problema: É preciso que o menino “milagrosamente” tenha um momento heroico para ser reconhecido como digno de respeito.
O ápice desse colapso pedagógico ocorre em "A Ordem da Fênix", quando Dolores Umbridge é nomeada professora — e depois alta inquisidora — de Hogwarts. A presença dela não inaugura o autoritarismo na escola; apenas o torna oficial, institucional, visível. Tudo aquilo que antes se manifestava de forma difusa — humilhações, punições arbitrárias, desprezo pelos alunos — agora ganha a chancela do Ministério da Magia. Umbridge não cria o problema; ela o revela. Sua figura é a burocratização da crueldade: a crença de que ensinar é controlar, e que o medo é uma ferramenta legítima de disciplina. Sob seu comando, Hogwarts deixa de ser uma escola e se transforma em uma máquina de adestramento, onde a obediência cega substitui o aprendizado. É a pedagogia do castigo erguida ao status de política oficial. Quando Umbridge tortura Harry - e mais uma dezena de alunos - a resposta institucional do corpo docente, expressa especialmente na figura da professora McGonagall, é "aguentem firme, não tem outro jeito".
O que torna essa parte da saga especialmente reveladora é que, mesmo diante do autoritarismo explícito de Umbridge, as estruturas que poderiam impedi-la não existem. Dumbledore foge, os professores se calam, os alunos se organizam clandestinamente porque o sistema institucional não oferece nenhum caminho legítimo para a resistência. A “Armada de Dumbledore” surge, na prática, como uma tentativa desesperada de recuperar o sentido original de educação — aprender, dialogar, agir coletivamente: quando Harry se torna "professor" dos colegas, há de fato um momento de aprendizado coletivo, com base em experiências práticas e educação dialógica. E é sintomático que isso só aconteça fora da autoridade da escola, à margem dela. Quando o conhecimento deixa de ser mediado pela imposição e passa a ser partilhado, os alunos finalmente aprendem de verdade. Nesse ponto, Rowling parece tocar no coração do problema: Hogwarts só cumpre seu papel educativo quando se rebela contra si mesma.
Alguns poderiam dizer que esse texto crítico não se aplica à realidade da escola porque os bruxos são excêntricos e antiquados mesmo, e que portanto faria sentido narrativo que Hogwarts seja uma escola extremamente rígida e com pouco apreço pela saúde ou mesmo segurança dos alunos, afinal, esses temas não seriam discutidos Sobre isso... eu tenho algumas coisas a dizer.
A representação da educação em "Harry Potter" não é uma construção inocente, tampouco neutra. Ela reflete concepções pedagógicas e morais próprias da cultura escolar britânica dos anos 1990 e 2000 — um período em que o debate sobre práticas educativas democráticas, a escuta do aluno e o combate ao bullying começava a ganhar força nas universidades e nas políticas públicas, especialmente sob influência de autores como Paulo Freire, bell hooks e outros pedagogos críticos. Enquanto parte do mundo acadêmico discutia o papel emancipador do ensino e a necessidade de romper com estruturas autoritárias e hierárquicas, a narrativa que se passa em Hogwarts preserva — e até celebra — uma pedagogia baseada na humilhação, na competição e no mérito individual. A figura do professor como autoridade infalível, que corrige através do medo ou da vergonha, é apresentada não apenas como aceitável, mas como parte essencial da "formação de caráter" dos alunos. Assim, o universo de Rowling traduz, ainda que inconscientemente, um olhar conservador sobre a escola: a dor e a rigidez seriam mecanismos legítimos de aprendizagem e superação.
Essa escolha narrativa - porque sim, é uma escolha - também dialoga, conscientemente ou não, com um contexto sociopolítico mais amplo. Nos anos 1990, enquanto o neoliberalismo moldava políticas educacionais com foco em desempenho e rankings — o que reduzia a escola a um espaço de avaliação e disciplina —, a série transforma o colégio em palco dessas mesmas dinâmicas, travestidas de fantasia. Professores como Snape e Umbridge encarnam modelos distintos de autoritarismo, mas ambos legitimam a opressão em nome da ordem ou da excelência. Em contraste, uma leitura freireana questionaria justamente essa lógica bancária de educação — na qual o professor deposita saber e o aluno deve apenas absorver. A ausência de diálogo, a punição simbólica e o descaso com o sofrimento estudantil (como o de Neville ou os castigos físicos impostos por Umbridge) revelam não apenas um problema ético, mas uma posição política: a crença de que a escola serve para moldar e submeter, não para libertar. Assim, a saga de Rowling se torna, inadvertidamente, um espelho das contradições de seu tempo — entre o discurso de formação moral e as práticas que perpetuam exclusão e violência simbólica.
É fundamental compreender que nenhuma obra de ficção existe fora de sua própria temporalidade. Mesmo quando ambientada em universos paralelos, passados imaginários ou sistemas mágicos, toda narrativa reflete os valores, tensões e contradições do tempo histórico em que foi concebida. "Harry Potter", portanto, não pode ser interpretado como um retrato inocente de uma “época antiga” ou de uma tradição escolar distante, pois sua escrita e publicação — entre o final dos anos 1990 e o início dos 2000 — dialogam diretamente com o contexto cultural e pedagógico desse período. A tentativa de deslocar a responsabilidade crítica sob o argumento de que a obra “retrata outro tempo” ignora o fato de que o olhar da autora é o de uma mulher britânica contemporânea, formada por debates e disputas éticas próprios de seu tempo histórico. Assim, ainda que Hogwarts seja objetivamente uma escola que remonta os tempos medievais em sua aparência, e que pareça uma escola vitoriana transplantada para o século XX, ela carrega e reproduz valores educacionais e morais que eram, e em muitos aspectos ainda são, amplamente normalizados pela sociedade neoliberal moderna.
Essa perspectiva desarma qualquer leitura que tente isentar "Harry Potter" de crítica social sob o pretexto da fantasia ou da tradição. Ao contrário, a série funciona como um registro ideológico de seu momento: um tempo em que o autoritarismo escolar e o bullying ainda eram vistos como “parte do crescimento”, e em que o sucesso individual era constantemente colocado acima da solidariedade coletiva. Ao projetar esses valores num universo mágico, Rowling não apenas os perpetua, mas os naturaliza — o que reforça a importância de ler a obra em diálogo com sua contemporaneidade, reconhecendo que a ficção, mesmo quando mágica, nunca está fora do mundo real que a produz.
Mesmo construindo um ambiente institucional desastroso, Rowling demonstra consciência de temas sociais que estavam em debate na sua contemporaneidade. Um exemplo claro é quando Hermione, cuja postura reflete pautas sobre preconceito, igualdade e direitos de seres oprimidos, tanto em sua própria condição como aluna nascida-trouxa, quanto no caso dos elfos domésticos e da campanha pelo “F.A.L.E” (Fundo de Apoio à Liberação do Elfo). Esses episódios mostram que a autora estava atenta a discussões sobre justiça social e inclusão — debates que, nos anos 1990 e 2000, ganhavam cada vez mais relevância em ambientes acadêmicos e escolares ao redor do mundo.
No entanto, quando analisamos a obra retrospectivamente, fica evidente que essas iniciativas são marginais e recebem pouca ou quase nenhuma adesão no universo da narrativa. A campanha de Hermione é ridicularizada pelos colegas e professores; nenhuma mudança institucional significativa ocorre; o preconceito estrutural e a opressão permanecem intactos. Esse contraste evidencia a força da visão pedagógica que domina Hogwarts: uma escola onde a autoridade é absoluta, a humilhação é normalizada e a justiça social é ignorada, mesmo quando explicitamente apresentada como ideal. Assim, a tentativa de Rowling de introduzir temas contemporâneos — justiça, igualdade, crítica a opressão — acaba reforçando a leitura de que Hogwarts funciona como um ambiente onde a negligência institucional e o autoritarismo são normalizados, independentemente do contexto histórico ou do posicionamento moral dos personagens.
Para concluir... acredito que eu tenha demonstrado suficientemente, ao longo desse texto, que a Hogwarts de J.K. Rowling não é mero cenário de um Universo mágico denso para aventura fantasiosas; é uma instituição pedagógica profundamente falha, onde autoritarismo, humilhação e negligência são naturalizados e celebrados como parte da formação moral dos alunos. A saga de Rowling nos apresenta professores abusivos, colegas cruéis e um sistema que ignora o sofrimento dos estudantes mais vulneráveis, como Neville, ao mesmo tempo em que permite que tentativas de justiça social, como as de Hermione, sejam apresentadas, mas permaneçam marginais e quase irrelevantes. Essa dinâmica não é fruto do acaso ou de uma estética antiquada, mas sim de escolhas narrativas conscientes que refletem, de forma muitas vezes contraditória, a visão da autora sobre educação e autoridade. Longe de existir fora de seu tempo, a obra passa muito tangencialmente - quando não menospreza - debates pedagógicos e sociais dos anos 1990 e 2000, revelando que mesmo em um universo mágico, práticas de exclusão, violência simbólica e negligência institucional permanecem perigosamente plausíveis — e que, ao final, a lição mais clara de Hogwarts talvez seja a necessidade de questionar sistemas de poder que se apresentam como naturais e incontestáveis.
Hogwarts pode ser mágica, mas sob seu véu de encanto e aventura, a escola ensina que sofrimento, humilhação e medo são caminhos aceitáveis para formar uma criança — e isso é algo que, fora da ficção, ninguém deveria aceitar. Portanto, nos dias de hoje, sigo gostando - muito criticamente - da saga, mas sendo bem sincero, eu não recomendaria a leitura de Harry Potter hoje em dia sem muitas ressalvas.




